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3/7/2018 14:38

10 milhões de mortos na África: o passado sombrio do adversário do Brasil na Copa. Por Sacramento

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A Bélgica, país adversário do Brasil nas quarta de final da Copa do Mundo, tem em sua história um capítulo sangrento e inexplicavelmente pouco lembrado pelo noticiário ou nos livros escolares.

Conhecida hoje como terra de bons chocolates, cervejas tradicionais e dos craques Hazard e Lukaku, no passado a Bélgica esteve sob a liderança do rei Leopoldo II, responsável por um genocídio que fez cerca de 10 milhões de vítimas na África, na região onde hoje é a República Democrática do Congo.

Leopoldo II assumiu o trono em 1865, época em que o continente africano era tratado pelos países europeus como um tabuleiro de Banco Imobiliário, e a partir de 1872 passou a procurar uma colônia para chamar de sua. Tentou obter terras na Argentina, em Fiji e nas Filipinas, mas foi na África que encontrou a fonte para aumentar suas posses.

Para conseguir o seu bocado de terra, utilizou diplomacia, lobistas e jornalistas amigos para construir a imagem de benfeitor. Intitulou-se antiescravagista, promotor dos valores cristãos e defensor dos negros africanos contra os ataques de árabes traficantes de escravos. Tudo teatro.

O interesse do rei belga em se embrenhar nas florestas tropicais do Congo era ganhar muito dinheiro gastando o mínimo possível. Seus esforços deram resultado: obteve um território 80 vezes maior que a Bélgica, que chamou de Estado Livre do Congo.

Lá, o monarca instaurou um sistema sanguinário de exploração de borracha e marfim, onde os nativos africanos que não conseguiam produzir de acordo com a cota diária estabelecida recebiam em troca açoites ou mutilações.

Em vez de correntes para prender os trabalhadores, os sádicos funcionários do rei sequestravam mulheres, crianças e esperavam o resgate chegar na forma de látex extraído da selva. Estupros faziam parte da rotina.

A ânsia capitalista era tanta que o rei obrigou os empregados da colônia a prestar contas da munição que usavam. Para isso, elas cortavam a mão direita dos trabalhadores abatidos, pois Leopoldo II queria ter certeza de que seus homens não estavam gastando cartuchos para caçar animais selvagens ou guardando-os para um motim.

Ele foi dono do Congo até 1908, quando, pressionado pelas denúncias de escravidão e genocídio, entregou os domínios da colônia para o governo do seu país. Morreu um ano depois, bilionário. Embora as torturas, mutilações e massacres que comandou o chancelem para a galeria de sanguinários como Stálin e Hitler, a reputação do rei belga não sofreu maiores abalos.

Os desmandos de Leopoldo II não estão nos quadrinhos do Tintim, criado pelo belga Hergé, mas foram relatados no documentário “White King, Red Rubber, Black Death”, co-produzido pela BBC, e no livro “O Fantasma do Rei Leopoldo”, de Adam Hochschild. Outro livro que aborda o assunto é o romance “O Coração das Trevas”, de Joseph Conrad. Mais tarde, Francis Ford Copolla transferiu esta história para o Vietnã e criou “Apocalypse Now”.

Apesar das denúncias das atrocidades, a Bélgica ficou na região até 1960, ano da independência da República Democrática do Congo. O país, inclusive, hoje é exemplo perfeito dos efeitos da colonização europeia no continente africano. Rico em recursos naturais e castigado por guerras fraticidas, tem o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) de 0,435 pontos, números que o colocam na 176ª colocação no ranking de desenvolvimento humano, em uma lista de 188 países.

A Bélgica, por outro lado, está em 22º na lista, com IDH de 0,896. É inegável que parte do alto nível de desenvolvimento do país europeu deve-se ao passado de metrópole colonial. Até o futebol, aliás, está lucrando com isso. Uma das estrelas da seleção belga, o atacante Romelu Lukaku, é filho de congoleses, que como muitos outros nascidos na ex-colônia emigraram para a Bélgica fugindo da guerra, da ditadura ou da miséria.



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5358 visitas - Fonte: diário do centro do mu

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