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14/4/2019 11:55

Os inúmeros negócios criminosos da milícia ligada a Queiroz e Flávio Bolsonaro

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A fila sinuosa formada por crianças, mulheres e homens segue em passos lentos e curtos num exercício de equilíbrio sobre meio-fio, calçadas e até grades numa tentativa de evitar o esgoto que inunda a Rua do Amparo.

O nome da via soa a ironia, sobretudo, nos dias de chuva quando as águas chegam a um metro de altura.



Os alagamentos fazem parte da rotina dos moradores de Rio das Pedras, comunidade da zona oeste do Rio erguida às margens da Lagoa da Tijuca, que cresceu desordenada e verticalmente no vácuo do poder público. Foi um dos bairros afetados pelos temporais do começo desta semana na capital.

À sombra do Estado, a região viu brotar o embrião da milícia mais poderosa em atividade no Rio de Janeiro: o Escritório do Crime.



O grupo paramilitar chefiado pelo ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) Adriano da Nóbrega transformou Rio das Pedras na capital de seu estado paralelo.

Adriano estava preso por assassinato em 2007 quando Flávio Bolsonaro empregou sua mãe e sua esposa em seu gabinete. Juntas, ganhavam quase 15 mil por mês, pagos com dinheiro público. Elas ficaram 10 anos trabalhando para Flávio.

Em Rio das Pedras não é difícil acabar preso à rede de influência dos milicianos. Os valores variam de acordo com os lucros do negócio. Um restaurante, por exemplo, pode pagar até R$ 100 semanais. Quiosques e carrocinhas de cachorro-quente pagam de R$ 10 à R$ 20.

O dinheiro é recolhido por jovens em motos, os "frentes". Eles repassam os valores a outros integrantes da estrutura criminosa. É tudo segmentado: quem recolhe dinheiro do comércio não se mete na cobrança de taxa aos donos de veículos usados no transporte de passageiros, nem na coleta do dinheiro das máquinas de caça-níqueis. Os lucros do jogo vão direto para a caixa do Escritório do Crime - a milícia fica com 80% do arrecadado, o dono do estabelecimento com 20%.

Sistema de "lavanderia" de dinheiro
A associação de moradores de Rio das Pedras é peça importante no esquema de influência do estado paralelo na comunidade. Segundo investigações do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do MP (Ministério Público) estadual, a entidade servia como fachada para acobertar negócios ilegais da milícia. Em especial, a cobrança de taxas e a intermediação de pedidos de alvarás na prefeitura, sobretudo para empresas usadas por milicianos para lavar dinheiro obtido com atividades ilegais.

A exemplo de Muzema, comunidade vizinha onde dois prédios desabaram na sexta-feira, Rio das Pedras possui também um comércio ilegal de imóveis.

Um prédio está sendo erguido num espaço espremido entre um campo de futebol e a rampa de acesso ao Pinheiro, localidade ocupada por edifícios, muitos deles ainda em obras. O vaivém de operários é grande, mas, lá, ninguém sabe informar a quem pertencem os empreendimentos imobiliários.

Em geral, os apartamentos são pequenos, tipo quitinetes, e negociados por valores entre R$ 38 mil e R$ 56 mil. À frente de um dos prédios, botijões de gás empilhados dentro de uma espécie de jaula são vendidos por R$ 89,90, valor com sobrepreço de R$ 22,45 em relação ao preço médio (R$ 67,45) registrado no Rio pela (ANP) Agência Nacional de Petróleo. A cobrança de ágio na venda de gás é apontada como uma das muitas fontes de receita da milícia.

Quem tem dificuldade para pagar as taxas pode recorrer a um empréstimo numa das financeiras dos milicianos. As taxas de juros cobradas conseguem ser ainda mais exorbitantes do que as praticadas pelos bancos. Quem não paga pode ter a televisão, a moto, o carro ou a casa confiscados, dependendo do valor da dívida.

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6297 visitas - Fonte: Uol

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