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9/1/2017 12:23

Diplomata afirma que estado brasileiro e facções estão em conluio

A reação das autoridades brasileiras às chacinas nos presídios do Amazonas e Roraima evidenciam o “conluio do Estado brasileiro com as organizações criminosas”; quem avalia é o diplomata e especialista em direitos humanos Paulo Sérgio Pinheiro; “Todo o Estado brasileiro está carcomido e contaminado. E essa contaminação é ainda maior devido à ilegimitimidade do atual governo (de Michel Temer)”, diz

247 – A reação das autoridades brasileiras às chacinas nos presídios do Amazonas e Roraima, que deixaram 89 mortos, evidenciam o “conluio do Estado brasileiro com as organizações criminosas”. Quem avalia é o diplomata e especialista em direitos humanos Paulo Sérgio Pinheiro. Além deste total de mortos, mais quatros foram assassinados neste domingo (8) em Manaus.

Segundo o diplomata, a avaliação do massacre em Manaus como “acidente” pelo presidente Michel Temer, as contradições do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, ao negar a responsabilidade do governo federal nas chacinas, e declarações do governador do Amazonas, José Melo, e do Secretário Nacional da Juventude, Bruno Júlio, que tentaram justificar a morte de presos, revelam um “Estado carcomido e contaminado” pela corrupção e por “acordos não escritos” com as facções criminosas que comandam os presídios brasileiros.

O agora ex-secretário nacional da Juventude afirmou que deveria haver “uma chacina por semana” (veja aqui). O governador do Amazonas disse que “não tinha nenhum santo” entre os 56 mortos. “Eram estupradores, matadores e pessoas ligadas a outra facção, que é minoria aqui no Estado do Amazonas”, acrescentou ele durante entrevista à rádio CBN (leia aqui).

A analista afirmou que “a posição não poderia ser pior”. “Esse silêncio do chefe de governo, que esperou vários dias para falar – e para falar bobagem – ocorre porque o governo federal está acuado pelas organizações criminosas. Em muitos estados, as facções fizeram acordos com o governo nas eleições e, depois, para impôr a paz dentro dos presídios. Houve um acordo não escrito com esse circuito criminoso. Hoje, o temor do governo é que, como já está acontecendo, apareçam mais revoltas em outros estados”, diz. A entrevista foi concedida à DW Brasil.

“No caso de Manaus, o escândalo maior é que, além das execuções, houve 30 decapitações. Ora, por cinco decapitações em Palmira na Síria todo mundo fica horrorizado. Aqui, como no Iraque, jogaram futebol com as cabeças dos presos. E o governador do Amazonas ainda justificou que eles “não são santos”. Que história é essa? Eles não são santos e então mereciam ter sido executados?”, questiona.

De acordo com o especialista em direitos humanos, “não interessa ao atual governo, aos empresários e parlamentares comprados por organizações criminosas mudar essa situação”. “O que acontece nas prisões é só a ponta do iceberg do tráfico de drogas, da lavagem de dinheiro e da impunidade generalizada em relação às organizações criminosas”, complementa.

Medidas

Questionado sobre como as autoridades podem combater as facções, Pinheiro afirma que a primeira medida “é fazer uma investigação sobre os negócios”. “A coisa mais simples é adquirir bloqueadores de celular nos presídios e impedir a comunicação dos presos com o mundo externo. Em Manaus não tinha isso, os presos têm celulares à vontade”, continua.

Em segundo lugar, na avaliação dele, “é preciso investigar o que ocorre fora da prisão”. “As organizações criminosas financiam mandatos de vereadores, deputados estaduais e federais e senadores, e o Estado brasileiro sabe de tudo isso, como já mostraram relatórios da Polícia Federal e a CPI do Crime Organizado. Sem contar a possível ingerência das facções no sistema judiciário, influenciando sentenças, absolvições e liminares em favor desses grupos”, diz.

Para o especialista, “não tem solução mágica”. “Isso é algo que já está consolidado desde a volta à democracia. Não interessa ao atual governo, aos empresários e parlamentares comprados por organizações criminosas mudar essa situação. O Congresso não tem interesse em denunciar seus apoiares. Boa parte dos mandatos dos políticos são comprados pelas organizações criminosas. Todo o Estado brasileiro está carcomido e contaminado. E essa contaminação é ainda maior devido à ilegimitimidade do atual governo”, afirma.

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2472 visitas - Fonte: falandoverdades

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