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A médica e pesquisadora Margareth Dalcolmo trouxe à tona uma revelação estarrecedora sobre os reais impactos da emergência sanitária vivida pelo país. Durante debate realizado na Estação Claro Rio, após a exibição do documentário “Anatomia do Caos”, a especialista afirmou que o número real de mortes provocadas pela pandemia de Covid-19 no Brasil pode ter ultrapassado a marca de 2 milhões de pessoas — um volume cerca de três vezes maior do que o total de 720 mil óbitos reconhecido até então pelos boletins oficiais.
A disparidade nos números ocorre porque os dados governamentais contabilizaram apenas as vítimas com diagnóstico formalmente atribuído à doença. A estimativa apresentada pela médica adota uma métrica mais ampla, alinhada ao conceito de excesso de mortalidade utilizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Essa abordagem engloba não apenas os óbitos na fase aguda da infecção, mas também as mortes decorrentes de sequelas graves e o colapso do sistema hospitalar, que impediu o atendimento de milhares de pacientes com outras enfermidades.
A denúncia sobre a subnotificação massiva resgata os episódios mais sombrios da gestão da crise sanitária sob o governo de Jair Bolsonaro. O período foi marcado por investigações na CPI da Covid, que apurou o atraso deliberado na aquisição de vacinas, a propaganda de medicamentos ineficazes e o desrespeito sistemático às orientações da comunidade científica internacional, fatores que contribuíram diretamente para o agravamento do cenário epidemiológico no país.
Atualmente, o coronavírus circula de forma endêmica, e a pesquisadora reforça que a vacinação contínua permanece como a única ferramenta eficaz de proteção. Dalcolmo defendeu que, no futuro, a imunização contra a Covid seja integrada ao calendário anual junto com a vacina da gripe. O cálculo de 2 milhões de mortes, embora apresentado como uma estimativa com base em sequelas e sobrecarga do sistema, expõe as cicatrizes profundas deixadas pela condução da pandemia e pela falta de diagnósticos precisos no período mais crítico da história recente do país.
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