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A política de privatizações promovida pelo governador de extrema direita Tarcísio de Freitas transformou a rotina da população trabalhadora de São Paulo em um pesadelo diário. Apenas três dias após a entrega das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da CPTM à iniciativa privada, os passageiros enfrentam caos generalizado, paralisações e desespero para conseguir transitar. O colapso do serviço sob o comando da concessionária Trivia Trens atingiu o ápice nesta quinta-feira (23), evidenciando o fracasso do modelo de mercantilização dos serviços essenciais defendido por grupos reacionários.
O cenário de pânico nos trilhos exigiu a intervenção emergencial da Polícia Militar para resgatar os usuários abandonados pela empresa. Imagens registradas pela imprensa mostraram os policiais auxiliando passageiros da linha 12-Safira a pular o muro da via com o suporte de um caminhão posicionado na rua. A tropa também precisou socorrer idosos com mobilidade reduzida, que foram forçados a caminhar sobre a brita entre as composições e escalar barrancos na Avenida Celso Garcia, sob o Viaduto Alberto Badra, para escapar do bloqueio.
A concessionária alegou que uma pane no fornecimento de energia no trecho entre as estações Brás e Sebastião Gualberto interrompeu a circulação. Este é o terceiro dia consecutivo de colapso operacional desde que a empresa assumiu o controle do sistema na terça-feira (21). Além das multidões caminhando em áreas de risco sobre os trilhos, o sucateamento do serviço privado foi evidenciado pelo registro de um trem em chamas na região da estação Bresser-Mooca, expondo os passageiros a perigo iminente.
Diante do travamento do transporte, a linha 11-Coral passou a funcionar apenas de forma parcial entre as estações Estudantes e Corinthians-Itaquera. Já a linha 12-Safira, a linha 13-Jade e o Serviço Expresso Aeroporto tiveram as operações completamente interrompidas. Para tentar conter os transtornos causados pelo próprio desmonte, a Trivia Trens acionou o Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (PAESE), disponibilizando apenas 21 ônibus para atender o trecho entre Bresser-Mooca e a estação USP Leste, quantidade claramente insuficiente para a demanda.
Representantes da concessionária admitiram que a falha foi complexa e provavelmente provocada por um curto-circuito em uma das composições, sem oferecer qualquer previsão clara para a normalização do serviço. A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Artesp) informou que apura as causas da pane. No entanto, a deterioração do sistema já vinha se desenhando durante a fase de transição: nos últimos dois meses da chamada operação assistida, a linha 11-Coral acumulou 11 falhas graves, registrando um salto de 275% em ocorrências no primeiro semestre de 2026 na comparação com o ano anterior.
A Trivia Trens pertence ao grupo Comporte Participações, do empresário Nenê Constantino, e assumiu o contrato de concessão de 25 anos com a promessa de investir R$ 14,3 bilhões na malha metroferroviária, que também inclui a Linha 7-Rubi. O caos vivido pelos paulistas demonstra na prática como a entrega de patrimônio público para empresários do setor privado prioriza o lucro em detrimento da segurança e da dignidade da população trabalhadora.
Assista ao vídeo:
Policiais ajudam passageiros a saírem dos trens das linhas 12-Safira, 11-Coral e 13-Jade, após falha na operação da Trivia Trens https://t.co/Bnk77TpJo9 #g1 pic.twitter.com/GE4GcoGjyl
— g1 (@g1) July 23, 2026