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O desmoronamento interno da extrema direita ganhou novos capítulos de baixaria e disputa pelo poder. O ex-deputado federal Julian Lemos, que coordenou a campanha de Jair Bolsonaro no Nordeste em 2018, revelou nas redes sociais que o ex-presidente foi vitima de chantagem aplicada pelo próprio filho, Eduardo Bolsonaro. De acordo com o ex-aliado, a indicação de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para disputar o Palácio do Planalto em 2026 não passou de um arranjo forçado por uma carta de pressão enviada por Eduardo ao pai, visando controlar o espólio político do clã.
A denúncia sobre os bastidores da família expõe como as decisões da extrema direita são pautadas por interesses pessoais e disputas corporativas, longe de qualquer projeto para o país. Lemos enfatizou que a escolha de Flávio Bolsonaro, anunciada por Jair Bolsonaro no fim de 2025, ocorreu exclusivamente pela guerra de forças na estrutura familiar. A partir desse movimento imposto, Eduardo passou a defender publicamente o irmão como a única opção do grupo radical, mascarando a pressão que teria exercido sobre o ex-presidente.
A briga pelo controle do orçamento partidário, dos picos de influência e dos palanques estaduais criou uma fratura exposta entre os herdeiros e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. A divisão do grupo tornou-se tão violenta que o próprio Jair Bolsonaro precisou divulgar uma carta pública implorando pelo fim das brigas entre seus seguidores e familiares. O pânico de perder o acesso aos cofres públicos e de ver a família sem mandatos parlamentares nas próximas eleições foi o fator determinante para a ceda de espaço a Flávio.
As acusações do ex-coordenador da campanha somam-se a uma série de revelações sobre o enriquecimento e a conduta de Flávio Bolsonaro. Recentemente, Julian Lemos apontou que o senador acumularia um patrimônio astronômico próximo de R$ 600 milhões, além de desafiar o pré-candidato do PL a realizar exames toxicológicos. O histórico de denúncias do ex-parlamentar paraibano, que rompeu com o bolsonarismo após vivenciar as entranhas do grupo em 2018, lança luz sobre o lamaçal de intrigas que cerca a família.
A decadência moral do grupo liderado por Jair Bolsonaro fica evidente na incapacidade de manter a coesão até mesmo entre os seus mais próximos. Enquanto seguidores da extrema direita tentam manter uma narrativa de união, a realidade dos bastidores mostra uma disputa feroz por cargos, verbas e poder. O episódio reafirma como a política praticada pelo clã apoia-se em chantagens e chantagistas, ameaçando a estabilidade do próprio movimento que construíram.
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