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A ruína moral da extrema direita ganhou contornos ainda mais graves com a abertura de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar um esquema de repasses suspeitos envolvendo o Banco Master e o clã de Jair Bolsonaro. A decisão do ministro André Mendonça, respaldada pela Polícia Federal e pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, apura o desvio de aproximadamente R$ 61 milhões enviados por uma empresa associada ao banqueiro Daniel Vorcaro a um fundo no Texas ligado a comparsas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
A investigação busca esclarecer se a bolada serviu apenas para financiar a cinebiografia Dark Horse, uma propaganda do ex-presidente, ou se abasteceu outras despesas escusas da família. Aliados do senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) já admitem em pânico que o escândalo é uma verdadeira caixa de Pandora. O caso minou de vez as negociações do PL com os partidos do Centrão — como União Brasil, PP, Republicanos e Podemos —, cujos dirigentes agora fogem da imagem do senador para evitar contaminação na disputa eleitoral.
As apurações escancaram a relação promíscua entre o filho de Jair Bolsonaro e o banqueiro preso. Mensagens e áudios revelaram que Flávio cobrou pessoalmente parcelas de um aporte astronômico de R$ 134 milhões prometido por Daniel Vorcaro. Para piorar o quadro de corrupção velada, o escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro recebeu R$ 500 mil de uma consultoria que abocanhou R$ 57,9 milhões do Banco Master, além de ter emitido notas fiscais canceladas de R$ 1 milhão diretamente em nome da empresa investigada.
Sem explicações plausíveis para o dinheiro que irrigou suas contas e as produções do clã, Flávio Bolsonaro apelou para o surrado e cínico discurso de perseguição política. Em uma transmissão ao vivo, o parlamentar ignorou as provas documentais colhidas pela Polícia Federal e vitimizou-se ao afirmar que é alvo de uma ação orquestrada para barrar sua candidatura, repetindo a exata e manjada tática de negação usada pelo pai para tentar enganar a opinião pública.
O novo escândalo explodiu no momento em que a pré-campanha do senador tentava disfarçar outro fiasco: o desentendimento público com Michelle Bolsonaro, que o acusou abertamente de humilhação e maus-tratos por disputas de poder no PL do Ceará. Pressionado pela rejeição, Flávio teve que se humilhar e pedir desculpas à madrasta na tentativa desesperada de conter a sangria de votos entre as eleitoras, encenando uma reconciliação forçada que não esconde a degradação interna do grupo radical.
Abalado por acusações de corrupção, disputas familiares por dinheiro e pela iminente associação da família às sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, o projeto político de Flávio Bolsonaro afunda em rejeição. A sucessão de fatos expõe a falência ética de um grupo que usava o discurso da moralidade para esconder esquemas financeiros escusos e transações obscuras com banqueiros investigados. As informações sobre as apurações foram divulgadas pelo portal Metrópoles e pelo Intercept Brasil.
Com informações do Brasil 247
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