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O governo do presidente estadunidense Donald Trump voltou a usar a pressão tarifária contra o comércio exterior do Brasil. Em uma medida arbitrária, Washington condicionou a recuperação de quase 60 mil toneladas de açúcar da cota brasileira à entrega de propostas comerciais consideradas satisfatórias pela Casa Branca. Sem a apresentação de vantagens ao mercado estadunidense, a administração do republicano ameaça redistribuir o volume retirado a outros países exportadores concorrentes.
A chantagem comercial foi exposta pelo subsecretário de Agricultura dos Estados Unidos, Stephen Vaden, durante um simpósio da American Sugar Alliance. As declarações foram repassadas ao governo brasileiro por meio de um informe interno elaborado pela adida do Ministério da Agricultura na capital estadunidense, Ana Lucia Viana. O documento confirma que o Brasil perderá quase 36% de sua cota para o próximo ciclo se não ceder às exigências do governo de Donald Trump.
Com a canetada da administração estadunidense, a alocação brasileira para o período que se inicia em outubro cairá de 155,9 mil toneladas para 100 mil toneladas. O corte abrupto deixa cerca de 56 mil toneladas métricas em valor bruto sem destinação definida. O relatório do ministério registra expressamente que a devolução do volume depende exclusivamente do envio de ofertas vantajosas aos interesses dos Estados Unidos pela diplomacia brasileira.
Representantes diplomáticos do Brasil acionaram o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos para questionar o caráter do limite tarifário imposto. A representação brasileira ressaltou que o país cumpriu rigorosamente todas as entregas do ciclo anterior, comprovando alta capacidade de fornecimento e atendimento contínuo às demandas da indústria estadunidense, mas a equipe de Donald Trump esquivou-se de dar explicações técnicas detalhadas sobre o veto parcial.
Embora o governo estadunidense não tenha detalhado formalmente as contrapartidas exigidas, Washington pressiona há anos pela eliminação da tarifa brasileira de 18% sobre o etanol vindo do mercado estadunidense. Além do corte na cota preferencial de importação, as vendas de açúcar brasileiro para os Estados Unidos que excedem o limite enfrentam uma barreira tarifária punitiva de US$ 340 por tonelada, somada a sobretaxas protecionistas que chegam a 37,5%.
A ação truculenta do governo de Donald Trump prejudica produtores brasileiros do Nordeste e do Sudeste que abastecem o mercado norte-americano com matérias-primas de alta qualidade. Em contrapartida ao bloqueio imposto ao Brasil, o governo estadunidense priorizou a República Dominicana e as Filipinas na divisão do volume de importação. A postura protecionista e impositiva da gestão de Trump volta a expor o uso de sanções comerciais para subjugar nações parceiras e impor interesses corporativos dos Estados Unidos.
Com informações do DCM
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