PF faz perícia sobre supostos repasses da Odebrecht a presidentes da Câmara e do Senado
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4354 visitas - Fonte: O Globo
A Polícia Federal solicitou ao setor de perícias a realização de uma análise sobre os supostos pagamentos de propina registrados nos bancos de dados da Odebrecht, o Drousys e o Mywebday, aos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), para permitir o avanço do inquérito que apura ofertas de vantagens indevidas a eles em troca de benefícios em medidas provisórias no Congresso Nacional.
O ofício comunicando a realização da perícia foi enviado ao Supremo Tribunal Federal na última quarta-feira pela delegada Graziella Balestra, que conduz as apurações do caso. As análises abrangerão também outros supostos repasses ao senador Romero Jucá (MDB-RR) e ao deputado Lúcio Vieira Lima (MDB-BA), que são investigados no mesmo inquérito. Com isso, a PF busca comprovar se os pagamentos aos quatro políticos foram efetivamente realizados, como relatado na delação dos executivos da Odebrecht.
A delegada frisa em seu pedido que deverão ser analisados pagamentos de R$ 2,1 milhões ao codinome Índio, "provavelmente relacionado à pessoa do senador Eunício Oliveira", e de R$ 100 mil ao "possível codinome Botafogo, provavelmente relacionado à pessoa do deputado federal Rodrigo Maia".
O objetivo do trabalho é identificar as comunicações internas da Odebrecht com os responsáveis por fazer a entrega dos recursos. A delegada solicita a identificação de quatro itens relacionados aos pagamentos de propina: "a) negociações para realização do pagamento de valores em sistema de contabilidade paralela; b) previsões ou cronogramas; c) tratativas para a realização dos pagamentos dos valores, locais e senhas; d) comprovação efetiva dos pagamentos realizados".
Esse inquérito investiga se Maia, Eunício, Jucá e Lúcio Vieira Lima receberam pagamentos da Odebrecht em troca de atuar em favor dos interesses da empresa na votação de uma medida provisória no Congresso Nacional que reduzia tributos para o setor petroquímico --de interesse direto da Braskem, controlada pela Odebrecht. Todos eles já negaram terem atuado a favor da Odebrecht e dizem só ter recebido doações legais.
O GLOBO revelou, em janeiro, que Rodrigo Maia esteve na sede da Odebrecht no Rio de Janeiro em 2010 no mesmo dia em que o sistema de contabilidade paralela da empresa registrava um pagamento de caixa dois destinado à campanha eleitoral de seu pai, César Maia. Rodrigo seria o responsável por negociar esse pagamento com o diretor-presidente da construtora, Benedicto Junior.
Maia já prestou depoimento à PF e afirmou que não reconhece o codinome Botafogo, atribuído a ele, e que os registros de pagamento no sistema não lhe dizem respeito. Eunício disse à PF que "nunca deu tratamento diferenciado no encaminhamento dos pleitos de grandes doadores de suas campanhas" e que a acusação dos delatores da Odebrecht é "inverdade". Procuradas, as assessorias de Maia e Eunício ainda não responderam. Lúcio Vieira Lima e Jucá também negaram irregularidades.
Em nota, Eunício Oliveira afirmou que “acredita que as investigações são o melhor caminho para esclarecer todos os fatos”.
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