Rodoanel de Alckmin, com menos de 180km, custou exorbitantes R$ 26 bilhões; Mais da metade do valor pode ter sido roubada
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11255 visitas - Fonte: Folha
Lançado em janeiro de 1998 pelo ex-governador Mário Covas (morto em 2001), o Rodoanel completará duas décadas de obras. Ao todo, o anel viário projetado para interligar as rodovias que chegam à capital paulista terá 177 km de extensão e será concluído no fim deste ao custo de R$ 26 bilhões, valor 163% maior do que o previsto por Covas para todo anel (R$ 9,9 bilhões, em valores corrigidos pela inflação). Na época, o ex-governador prometeu entregar todos os trechos em oito anos, ou seja, 2006.
Os R$ 26 bilhões do Rodoanel correspondem ao custo de 54 quilômetros de linhas de metrô, trem e monotrilho, que atenderiam 1,6 milhão de pessoas. O cálculo considera o total previsto para a Linha 6 e outras três linhas de transporte sobre trilhos atualmente contratadas pelo Estado na capital.
Com 47 quilômetros, a última alça do anel viário sintetiza a sucessão de atrasos e acréscimos de custos que marcaram a execução de todo o Rodoanel. Só os contratos com as empreiteiras, alvo de investigação do Ministério Público Federal (MPF) por suspeita de superfaturamento, tiveram reajustes de R$ 586 milhões, metade por causa da lentidão das obras civis, que vão custar R$ 4,5 bilhões. Já as desapropriações, apontadas pelo governo como o principal entrave para o avanço da obra por causa de disputas judiciais, custarão R$ 2,5 bilhões, mais do que o dobro do previsto. As desapropriações também são investigadas por supostos desvios.
Sucessivos aumentos fizeram com que o Trecho Norte se tornasse o mais caro entre as quatro alças do Rodoanel. Mas será o menos usado. Segundo a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), o trecho que vai conectar as rodovias Fernão Dias e Presidente Dutra, deve receber uma média de 20 mil veículos por dia, 20% do fluxo do trecho oeste (95,7 mil), inaugurado em 2002. Por todo o Rodoanel serão, em média, 192,2 mil por dia – só nos 47 quilômetros das Marginais Pinheiros e Tietê, o índice é de mais de um milhão de veículos.
A Dersa (Desenvolvimento Rodoviário) estatal paulista responsável por grandes obras viárias em São Paulo, é suspeita de desviar R$ 15 bilhões de contratos firmados nos últimos dez anos, segundo investigações da Operação Lava-Jato.
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