Moro acusa Bolsonaro de interferir politicamente na PF e reconhece que PT deu autonomia ao órgão
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2013 visitas - Fonte: Brasil 247
Moro reconhece que PT deu autonomia à PF e critica aparelhamento da polícia por Bolsonaro
24 de abril de 2020, 11:33
247 - No pronunciamento em que anuncia sua saída do ministério da Justiça do governo de Jair Bolsonaro, Sergio Moro paradoxalmente reconheceu a autonomia possibilitada pelo governo anterior, da ex-presidente Dilma Rousseff, às instituições responsáveis por investigações, como a Polícia Federal, assegurando assim o andamento da Lava Jato.
“Na Lava Jato, eu sempre tive um receio constante de uma intervenção do Executivo na Polícia Federal, como troca de superintendente. Mas isso não aconteceu e foi fundamental a manutenção da autonomia da PF para que os resultados fossem avançados”, afirmou, no início de sua fala, depois de lamentar o episódio de hoje, em meio à pandemia.
Em seguida, ressaltou que houve queda em índices de criminalidade e da corrupção, atribuindo isso à sua atuação, no passado, no comando da Lava Jato, e no governo. “Mudou o patamar de combate à corrupção no Brasil”. Contou então novamente a história do convite de Bolsonaro para que integrasse a equipe.
“Final de 2018 recebi convite do então presidente da República eleito Jair Bolsonaro, como já falei publicamente várias vezes, e fui convidado a ser ministro da Justiça e da Segurança Pública. O que foi conversado com o presidente foi que nós teríamos um compromisso com o combate à corrupção, crime organizado e criminalidade violenta. Foi-me prometido carta branca para nomear todos os assessores desses órgãos e da própria Polícia Federal”, recordou.
Moro então passou a discorrer sobre a interferência de Bolsonaro no comando da PF. “Em todo esse período, tive apoio do presidente Jair Bolsonaro, em outros nem tanto. A partir do segundo semestre do ano passado, passou a haver uma insistência de trocar o comando da Polícia Federal”, relatou.
“Eu respondi que não tinha nenhum problema para trocar, mas disse que preciso de uma causa, como um erro grave. No entanto o que eu vi foi só um trabalho bem feito”, disse. “Não era também uma questão do nome. Tem outros bons nomes para assumir, outros delegados igualmente competentes”, explicou.
Para Moro, “o grande problema seria a violação do acordo de que eu teria carta branca, não haveria uma causa e mostraria uma interferência na Polícia Federal”. Segundo ele, houve também tentativas de troca de outros cargos na Polícia Federal “sem que fosse apresentada uma justificativa aceitável”.
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