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27/5/2020 18:59

Depois da operação da PF, Bolsonaro convoca reunião ministerial fora da pauta para definir resposta ao STF

Depois da operação da PF, Bolsonaro convoca reunião ministerial fora da pauta para definir resposta ao STF
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966 visitas - Fonte: O Globo

Depois de mais uma ação do Supremo Tribunal Federal (STF) que provocou desconforto no governo, o presidente Jair Bolsonaro convocou ministros para uma reunião na tarde desta quarta-feira no Palácio do Planalto. Um dos objetivos é discutir uma estratégia de reação à operação determinada pela Corte que atingiu deputados aliados, empresários e blogueiros bolsonaristas, todos suspeitos de integrar uma rede de disseminação de notícias falsas.





A operação da Polícia Federal (PF) foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito das fake news. A investigação foi aberta no ano passado e busca desvendar financiadores e operadores do esquema.



O encontro não estava previsto na agenda oficial do presidente, e a lista de participantes ainda não foi divulgada. Ministros da área jurídica do governo, como André Mendonça (Justiça e Segurança Pública) e José Levi (Advocacia-Geral da União), foram chamados ao Palácio do Planalto. Ministros da ala militar, como Fernando Azevedo e Silva (Defesa) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), também estão entre os participantes.





Bolsonaro já demonstra publicamente a insatisfação com o STF desde a suspensão da nomeação do delegado Alexandre Ramagem para a direção-geral da Polícia Federal, também determinada por Alexandre de Moraes. Na ocasião, o presidente ironizou o ministro ao afirmar que ele havia sido escolhido para a Corte por ser amigo do ex-presidente Michel Temer, responsável pela indicação. Na semana passada, Bolsonaro também se rritou com um despacho em que o ministro Celso de Mello encaminhou à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma ação protocolada por deputados em que havia um pedido de busca e apreensão do celular do presidente.



Celso de Mello ainda foi responsável por tornar público o vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, apontado pelo ex-ministro Sergio Moro como uma prova de interferência de Bolsonaro na PF. No fim de semana, o presidente sugeriu que o decano da Corte cometeu crime previsto na Lei de Abuso de Autoridade ao divulgar a íntegra da reunião.





Na reunião ministerial que teve o conteúdo revelado, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, chamou ministros do STF de “vagabundos” e disse que deveriam ser presos. Mesmo com a situação complicada – o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (PMDB-PE), chegou a defender publicamente a demissão –, Weintraub se mantém no cargo.



Antes de convocar a reunião para alinhavar a resposta ao Supremo, Bolsonaro visitou nesta manhã o presidente da Corte, Dias Toffoli. O ministro está internado em um hospital de Brasília e se recupera de uma cirurgia.





Na operação de hoje, foram cumpridos 29 mandados de busca e apreensão. O ex-deputado Roberto Jefferson, o empresário Luciano Hang e o blogueiro Allan dos Santos foram alguns dos alvos. Também foi determinada a quebra de sigilo bancário e fiscal de quatro pessoas, como Hang e o empresário Edgard Corona, da Smart Fit.



Também são investigados no inquérito os deputados federais Bia Kicis, Carla Zambelli, Daniel Silveira, Filipe Barros, Cabo Junio Amaral e Luiz Philippe de Orléans e Bragança, todos do PSL. Eles deverão ser ouvidos pela PF.







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