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5/6/2020 19:27

Ministério da Saúde atrasa boletim informativo do covid19 para depois das 22h para impedir divulgação nos telejornais

Ministério da Saúde atrasa boletim informativo do covid19 para depois das 22h para impedir divulgação nos telejornais
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2015 visitas - Fonte: Tijolaço

Renato Souza, do Correio Braziliense, confirma o que já era voz corrente: o atraso para após as 22 horas do anúncio oficial do Ministério da Saúde sobre o número de casos de Covid-19 e das mortes por ele causadas foi ordem expressa de Jair Bolsonaro, já dada há tempos e só atendida agora, depois de implantada a gestão militar do órgão:



A estratégia da Presidência é evitar que os dados estejam disponíveis no horário dos telejornais noturnos, período em que as televisões têm maior audiência, pois muitos dos brasileiros estão em casa. Mesmo sem anúncio oficial, a ordem foi dada para que os dados sejam enviados à imprensa apenas no final da noite, mesmo que estejam prontos às 19 horas.





A intenção de atrasar a divulgação dos dados existe desde a gestão do ex-ministro Luís Henrique Mandetta. No entanto, à época, o titular da pasta se recusou a acatar a ordem alegando que geraria forte impacto na resposta a pandemia.



Trata-se, é óbvio, de uma tentativa de aplicar à informação a regra do do “morrer é o destino de todos” fazendo a população não se dar conta de que temos, hoje, seis tragédias de Brumadinho a cada 24 horas e, pelo número de casos, as que virão dentro de poucos dias.



Como disse ontem, se a realidade é ruim, demita-se a realidade.





É claro que isso não produz nenhum resultado, senão o de piorar a situação com a perda de uma atitude prudente por parte da população, cujos índices de isolamento, ontem, chegaram ao menos nível desde o início deste pesadelo e, com isso, agravar a população.



Ao ponto de fazer o “padrinho” Donald Trump citar hoje o Brasil (e a Suécia, que Bolsonaro cita como exemplo de sucesso) como referências de quantas mortes as políticas de semi-isolamento feitas nos EUA – e ausentes aqui – evitaram mais de um milhão de mortes.



Quando Trump, que coleta os resultados de um morticínio sem tamanho no seu país critica o desempenho de um governo é sinal que, para além do que ele produziu, o desastre por aqui pode ser muito maior do que aqueles que pensamos nos cenários de maior horror.



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