Diferente do Brasil, a maioria dos países aprova o desempenho de seus governos durante a pandemia
Compartilhe
9217 visitas - Fonte: Folha de São Paulo
Pesquisa ouviu 14 mil pessoas em 14 países desenvolvidos; americanos e britânicos são os mais críticos
Um estudo publicado nesta quinta-feira (27) mostra que a maioria da população de 14 países desenvolvidos aprova o desempenho de seu país no combate ao coronavírus, mas acredita que a pandemia deixou a população dividida.
O levantamento foi realizado pelo Pew Research Center, centro de pesquisas americano, e é baseado em entrevistas com cerca de 14 mil pessoas entre junho e agosto de 2020 na Alemanha, Austrália, Canadá, Coreia do Sul, Bélgica, Dinamarca, Espanha, EUA, França, Holanda, Itália, Japão, Reino Unido e Suécia.
Os entrevistados responderam a quatro perguntas: se o governo agiu bem no combate ao coronavírus, se o país está mais dividido ou unido após a pandemia, se o dia a dia mudou muito ou pouco por conta da doença, e se mais cooperação internacional teria reduzido o número de casos.
Em média, 73% das pessoas aprovam a estratégia contra a Covid em seu país, com os menores índices registrados no Reino Unido (46%) e nos EUA (47%).
?No Reino Unido, o governo tardou em adotar medidas contra a pandemia, apostando que a “imunidade de rebanho” seria o suficiente para proteger a população, mas depois voltou atrás. Hoje, o país tem 330 mil casos, com 41 mil mortes, de acordo com o site Worldometers
O presidente dos EUA, Donald Trump, minimizou a gravidade da doença, e pressionou para que estados adotassem medidas menos restritivas. O país é líder no mundo em casos e mortes, com 6 milhões de contaminados e 183 mil óbitos.
Esses dois países também registraram um nível alto de polarização política. Nos EUA, 76% das pessoas que costumam votar no Partido Republicano, legenda de Trump, acreditam que o governo fez um bom trabalho, contra 25% dos democratas.
No Reino Unido, 55% dos eleitores de direita acham que o governo do primeiro-ministro conservador, Boris Johnson, agiu bem durante a crise sanitária. Apenas 26% dos eleitores de esquerda compartilham dessa opinião.
Na Espanha, onde o governo do socialista Pedro Sánchez está no poder, a percepção se inverte: 73% dos espanhóis à esquerda acham que o governo fez um bom trabalho, enquanto 40% das pessoas à direita aprovam o desempenho. Na média, 54% dos espanhóis acreditam que o governo agiu bem. O país ibérico foi um dos mais atingidos pela pandemia, com 450 mil casos e 28 mil mortos.
As populações que mais aprovam o desempenho de seus países foram a da Austrália (94%) e da Dinamarca (95%). A Austrália, país de 25 milhões de habitantes, impôs medidas rápidas contra o coronavírus em março, fechando as fronteiras e serviços não essenciais, além de um "lockdown" na sua segunda maior cidade, Melbourne. Hoje, são 25 mil casos e 570 mortes no país.
Já a Dinamarca, com 5,8 milhões de habitantes, foi um dos primeiros países da Europa a fechar fronteiras e declarar quarentena, e também um dos primeiros a sair dela, reabrindo escolas em 15 de abril. O país escandinavo tem 16 mil casos e 620 mortes.
A pesquisa também apontou que 48% da população acredita que seu país sai mais dividido do que unido da pandemia. Esse número é maior nos EUA, onde 77% das pessoas concordam com a afirmação, e menor na Dinamarca, onde apenas 25% enxergam mais divisão.
Entrevistados que acreditam que o governo agiu mal no combate ao coronavírus tendem a achar que seu país sai mais dividido da pandemia. É o caso na Coreia do Sul, onde apenas 14% reprovam a estratégia do governo, mas destes, 75% enxergam mais divisão. Entre os 86% da população que acredita que o governo agiu bem, 71% acham que o país sai mais unido.
A Coreia do Sul foi elogiada pelos seus esforços no combate à doença, com alto número de testes e implementação rápida de restrições. O país de 51 milhões de habitantes tem 18 mil casos e 313 mortes.
Para a maioria da população, o coronavírus mudou muito seu dia a dia, diz o estudo. Afirmam que o vírus mudou “muito” ou “razoavelmente” as suas vidas 58% das pessoas em todos os 14 países. Os sul-coreanos (86%) e os suecos (71%) foram os que se sentiram mais afetados pela crise.
A estratégia do país escandinavo contrastou com a de seus vizinhos. A Suécia não adotou restrições pesadas, sem fechar bares nem restaurantes, e hoje tem 83 mil casos e 5.000 mortes, a quinta maior taxa de óbitos por milhão de habitantes da Europa. Entretanto, 71% da população aprova o desempenho do país, abaixo da média, mas maior que outros europeus, como França (59%), Espanha (54%) e Reino Unido (46%).
Os países cuja rotina menos mudou foram a Dinamarca, onde 73% disseram que o vírus afetou “pouco” ou “em nada” suas vidas, seguida da Alemanha, onde 61% viram pouca ou nenhuma mudança. Os dois países tiveram restrições fortes, mas já as afrouxaram: a Alemanha reabriu escolas no dia 3 de agosto.
Dinamarca e Alemanha também têm a menor diferença de resposta entre homens e mulheres, que costumam trabalhar mais em tarefas domésticas e no cuidado com os filhos. São 8 e 6 pontos percentuais de diferença, respectivamente.
Já na Suécia e nos EUA, o estudo apontou uma distância de 15 pontos percentuais entre as respostas, com mulheres dizendo que sua vida mudou mais do que homens.
Por fim, 59% dos entrevistados acreditam que mais cooperação internacional teria reduzido os casos de coronavírus no mundo. Essa percepção é mais forte na Europa, onde Bélgica (71%), Reino Unido (67%) e Espanha (65%) lideram o ranking. A falta de coordenação no bloco europeu é indicada como uma das razões da rápida expansão da doença pelo continente, partindo do foco inicial, na Itália.
Entretanto, os dinamarqueses, australianos e alemães são mais pessimistas, com a maioria dizendo que mais cooperação não teria feito diferença. Na Dinamarca, 78% dos entrevistados pensam assim, com 59% na Austrália e 56% na Alemanha.
Follow @ThiagoResiste
APOIE O PLANTÃO BRASIL - Clique aqui!
Se você quer ajudar na luta contra Bolsonaro e a direita fascista, inscreva-se no canal do Plantão Brasil no YouTube.
O Plantão Brasil é um site independente. Se você quer ajudar na luta contra o golpismo e por um Brasil melhor, compartilhe com seus amigos e em grupos de Facebook e WhatsApp. Quanto mais gente tiver acesso às informações, menos poder terá a manipulação da mídia golpista.
Notícias mais lidas
Pesquisa Quaest mostra Flávio à frente de Lula e Thiago dos Reis aponta coincidência com reunião em Brasília
BALDE DE ÁGUA FRIA! Impedimento de Nunes Marques pega campanha de Flávio Bolsonaro de surpresa no STF
Falha grave na Polícia Civil de SP expõe governo Tarcísio e coloca sob suspeita provas de inquérito ligado a André Mendonça
