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29/7/2021 13:49

CPI tem documentos que provam que AstraZeneca informou ao governo em Janeiro que não negociava com intermediários

CPI tem documentos que provam que AstraZeneca informou ao governo em Janeiro  que não negociava com intermediários
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634 visitas - Fonte: Correio Braziliense

Documentos enviados pelo Ministério da Saúde à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da covid-19 nesta semana mostram que a farmacêutica Astrazeneca informou no dia 29 de janeiro à pasta que não negocia por meio de intermediárias. O e-mail foi enviado para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), com cópia para a secretaria-executiva do ministério, afirmando ter conhecimento de que duas empresas tentaram vender vacina da farmacêutica à Saúde.







As duas empresas são Biomedic, com sede no Espírito Santo, e Virality Diagnostic. No e-mail enviado pela Astrazeneca, uma representante da empresa diz que recebeu comunicação de diferentes instituições, inclusive do próprio gabinete da secretaria-executiva, questionando sobre a veracidade da informação recebida de que a Biomedic diz ter um contrato de exclusividade com o laboratório AstraZeneca para venda de 300 milhões de doses de vacina, oferecendo a quantia para entregar ainda em fevereiro, e a Virality oferece 50 milhões de doses.



"Conforme mencionado anteriormente para essa diretoria em outra denúncia, em virtude do compromisso humanitário externado pela AstraZeneca e a unidade de Oxford, toda a produção da vacina AZD1222 durante o período de pandemia é destinado exclusivamente a governos e organizações internacionais de saúde ao redor do mundo, ou seja, não há possibilidade de comercialização da vacina produzida pela AstraZeneca no mercado privado", frisou a representante do laboratório.



Ela ainda pede, no e-mail, que haja uma ação fiscalizatória focada nas empresas mencionadas, "de forma a se permitir a confirmação definitiva dos ilícitos que estão sendo praticados pelas mesmas e a cessação da prática".







Negociações



Mesmo com os alertas, a secretaria-executiva, chefiada então pelo coronel Elcio Franco, negociou vacina da AstraZeneca por meio de uma intermediária, a empresa americana Davati Medical Supply, alvo da CPI. O cabo da Polícia Militar de Minas Gerais (PM-MG) Luiz Paulo Dominghetti, apontado pela empresa como vendedor autônomo de vacina, chegou a participar de reunião com o coronel Elcio, assim como o representante da Davati no Brasil, Cristiano Carvalho, no dia 12 de março, após os alertas da farmacêutica.



Dominghetti relatou ter recebido pedido de propina de US$ 1 por dose do ex-diretor de Logística da pasta Roberto Dias, no dia 25 de fevereiro deste ano, ao oferecer 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca.







Além disso, em fevereiro, o então diretor de Imunização do ministério, Laurício Monteiro Cruz, deu aval para que o reverendo Amilton Gomes de Paula, presidente da Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários (Senah), negociasse as 400 milhões de doses com a Davati em nome do governo brasileiro. A Senah e uma terceira instituição, o Instituto Força Brasil, presidida pelo tenente-coronel da reserva Hélcio Bruno de Almeida, também estiveram na reunião com Elcio, em março. Foi esse instituto que intermediou o encontro.



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