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10/8/2021 11:34

Instituto Força Brasil, investigado pela CPI, pediu propina em negociação de vacinas, conforme representante da Davati

Instituto Força Brasil, investigado pela CPI, pediu propina em negociação de vacinas, conforme representante da Davati
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708 visitas - Fonte: O Globo

BRASÍLIA - Integrantes do Instituto Força Brasil pediram uma comissão para marcar uma reunião com o Ministério da Saúde em que foram oferecidas 200 milhões de doses de vacina, segundo Cristiano Carvalho, representante da Davati Medical Supply, que negociou vacinas com o governo brasileiro. Nesta terça-feira, a CPI da Covid ouve o presidente do instituto, o coronel da reserva Helcio Bruno de Almeida.







Em seu depoimento à comissão, Cristiano Carvalho disse que integrantes do Força Brasil o receberam em Brasília junto ao reverendo Amilton Gomes, da Senah (Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários), e o ajudaram no contato com o ministério da Saúde. De acordo com Carvalho, a Senah e o Instituto dividiriam uma comissão de US$ 0,10 por dose, mesma quantia que iria para a Davati.



— Segundo Herman Cardenas (presidente da Davati nos Estados Unidos), a comissão total seria US$ 0,20 por dose de vacina, sendo que 50% seria da Davati e o que eventualmente sobrasse do US$ 0,20 seria dividido entre os intermediários como o Força Brasil e Senah, pagos pela Davati — diz Carvalho ao GLOBO.



Procurado pela reportagem, o advogado do Força Brasil Igor Uyu negou que a entidade de militância conservadora receberia comissão.



— Não (receberia). IFB nao recebe doação de empresas, nunca recebeu. Funciona apenas com doações de seus membros. Nunca foi assinado nenhum contrato com a Davati — afirmou.







Em um print de conversa a que o GLOBO teve acesso, Igor Uyu pede a Cristiano Carvalho que envie um "modelo de contrato internacional de parceria com a Davati" para que o Instituto Força Brasil assinasse. Carvalho então envia um documento com o título "master fee agreement" (acordo de comissionamento padrão). Questionado, Uyu disse que esse documento foi analisado, mas não foi assinado porque o instituto não recebe dinheiro de empresas.



Helcio Bruno de Almeida, presidente do IFB, é próximo do ex-secretário executivo da Saúde, Elcio Franco. Ambos serviram juntos no Exército. A Davati conseguiu uma agenda no ministério com Franco após o reverendo Amilton Gomes entrar em contato com Helcio, segundo os envolvidos na negociação. A reunião ocorreu em 12 de março, com a presença de Cristiano Carvalho.



— Ouvimos falar da Davati dia 9 e já tínhamos marcado a reunião do dia 12 para tratar de outro assunto e levamos eles — diz Igor Uyu.



Em 13 de março, a Davati enviou uma proposta de 200 milhões de doses da vacina da Johnson & Johnson por US$ 10 por dose. Por essa oferta, a Davati ficaria com US$ 100 milhões em comissão, enquanto a Senah e o IFB dividiram outros US$ 100 milhões, de acordo com a previsão de Cristiano Carvalho.







Notícias falsas



No site do Instituto Força Brasil, há publicações com notícias falsas sobre a pandemia. Uma delas, por exemplo, diz que "a maioria das pessoas é imune ao vírus da Covid". Há ainda textos negando a eficácia de máscaras e atacando o Supremo.



Senadores devem inquirir Helcio Almeida não só sobre sua relação com a Senah e com o Ministério da Saúde como também sobre seu possível envolvimento com a produção de "fake news" envolvendo a pandemia. A disseminação de notícias falsas sobre Covid-19 é uma das frentes de investigação da CPI.



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