Atual comandante da Marinha tenta fugir de depoimento sobre golpe e levanta suspeitas
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O almirante Marcos Sampaio Olsen, atual comandante da Marinha, foi convocado para depor no inquérito que investiga a tentativa de golpe de Estado liderada por Jair Bolsonaro. O pedido partiu da defesa de Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha e réu na ação penal. A audiência estava marcada para esta sexta-feira (23), mas, de última hora, a Advocacia-Geral da União (AGU) entrou com pedido de dispensa.
A justificativa oficial apresentada pela AGU ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, afirma que Olsen “desconhece os fatos sob investigação”. A alegação, no entanto, causou estranheza, considerando o papel central que ele ocupava à época dos fatos: o de comandante de Operações Navais, responsável direto pelo Corpo de Fuzileiros Navais — peça-chave para a execução do plano golpista.
Durante o período investigado, o superior imediato de Olsen era o almirante Almir Garnier, o único comandante das Forças Armadas que aderiu ao plano de ruptura institucional. Garnier chegou a oferecer os 14 mil fuzileiros navais a Bolsonaro e teria se vangloriado do potencial de suas tropas em reuniões com outros comandantes militares, segundo depoimento do brigadeiro Baptista Júnior, ex-chefe da Aeronáutica.
É difícil acreditar que um oficial do alto escalão da Marinha, como Olsen, não soubesse de movimentações tão graves envolvendo tropas sob seu comando direto. Caso não tivesse conhecimento de nada, poderia simplesmente comparecer ao depoimento e afirmar isso. A recusa, portanto, levanta suspeitas e alimenta especulações sobre possível tentativa de blindagem ou temor de se comprometer.
A negativa de Olsen em prestar esclarecimentos reforça o desconforto institucional e demonstra o grau de enrascada em que alguns setores das Forças Armadas ainda se encontram após os atos golpistas. O silêncio de quem tem responsabilidades estratégicas num momento tão grave da história recente do país é, no mínimo, preocupante.
Diante da gravidade dos fatos, o Supremo Tribunal Federal deve avaliar com rigor o pedido de dispensa. A colaboração das Forças Armadas é essencial para que todos os envolvidos no plano golpista sejam responsabilizados. Só assim será possível fortalecer a democracia e recuperar a confiança nas instituições.
Com informações da Fórum
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