EUA cobiçam minerais brasileiros.Lula barra pressão e analisa possibilidades de negócios
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2869 visitas - Fonte: Plantão Brasil
O governo dos Estados Unidos demonstrou interesse em fechar acordos com o Brasil para adquirir minerais considerados críticos e estratégicos, como lítio, nióbio, cobre, silício e terras raras. A proposta foi apresentada nesta quarta-feira (23) por Gabriel Escobar, encarregado de negócios da embaixada americana em Brasília, durante reunião com representantes do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). Escobar, que representa interinamente os EUA no Brasil, encontrou uma posição firme do governo Lula: qualquer negociação deve passar pela União, e não por empresas privadas.
Raul Jungmann, presidente do Ibram, destacou que os representantes brasileiros deixaram claro que a soberania nacional será preservada em todas as tratativas. O conteúdo da reunião foi encaminhado ao vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, que lidera a articulação para conter a tarifa de 50% anunciada por Donald Trump contra produtos brasileiros, prevista para começar em 1º de agosto.
A possibilidade de incluir o fornecimento de minerais nas negociações com os EUA é analisada com cautela pelo governo brasileiro. Para Brasília, qualquer concessão precisa ser acompanhada de contrapartidas comerciais reais, e jamais será feita à custa da entrega de recursos estratégicos sem garantias concretas. A embaixada americana reconheceu a participação de Escobar no encontro, mas não comentou o conteúdo.
O interesse norte-americano cresce num contexto de tensão diplomática provocada pelas medidas unilaterais e protecionistas de Trump, que já protagonizou episódios agressivos como a tentativa de tomar a Groenlândia da Dinamarca. Entre os 51 minerais estratégicos listados pelos EUA, o Brasil é destaque absoluto, especialmente no lítio — essencial para baterias e carros elétricos — e no nióbio, utilizado em ligas metálicas e tecnologias avançadas.
Dados de 2024 mostram a força do setor mineral brasileiro: foram exportadas 400 milhões de toneladas, gerando US$ 43,4 bilhões. China e Alemanha lideraram as compras. No mesmo período, o Brasil importou apenas 400 mil toneladas desses insumos, mantendo um saldo comercial amplamente positivo.
Além do debate institucional, o setor empresarial brasileiro também se mobiliza. Está sendo formada uma comitiva para visitar os Estados Unidos entre setembro e outubro, com o objetivo de pressionar o governo Trump por meio do diálogo com importadores americanos — muitos deles diretamente prejudicados pelas tarifas impostas ao Brasil.
Com informações do DCM
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