Com cautela, Lula evita armadilhas de Trump e põe Alckmin no centro das negociações
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4197 visitas - Fonte: Plantão Brasil
A possível reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, anunciada pelo próprio norte-americano na ONU, ainda não está confirmada. Nos bastidores do governo brasileiro, a tendência é que o contato seja por telefone, com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin para reforçar as negociações comerciais.
A participação de Alckmin é vista como estratégica. Ele é hoje o principal interlocutor do governo com o setor produtivo e coordenou o Plano Brasil Soberano, criado para reduzir os efeitos do tarifaço imposto por Trump às exportações brasileiras. O vice também atuou no Congresso para viabilizar a medida provisória que sustentou o programa e manteve diálogo com autoridades americanas mesmo após o endurecimento das sanções.
Nos últimos meses, Alckmin se reuniu com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, e tratou de temas como as tarifas e a regulação das big techs. O chanceler Mauro Vieira também esteve em Washington em julho, em encontro com o secretário de Estado, Marco Rubio. Já o ministro Fernando Haddad chegou a agendar reunião com o secretário do Tesouro, Scott Bessent, mas foi ignorado: no mesmo dia, Bessent recebeu Eduardo Bolsonaro e o blogueiro bolsonarista Paulo Figueiredo, numa encenação política contra o Brasil.
Apesar do entusiasmo de Trump em anunciar um encontro, o Itamaraty avalia que uma ligação é o formato mais seguro. Lula tem agenda cheia em Nova York e não pretende se submeter a constrangimentos já vividos por outros líderes expostos por Trump, como o ucraniano Volodymyr Zelensky e o sul-africano Cyril Ramaphosa, alvos de declarações humilhantes e falsas.
Na avaliação da diplomacia brasileira, a presença de Alckmin ajudaria a blindar o diálogo e reforçar a postura de cautela, sem abrir espaço para incidentes. O breve contato entre Lula e Trump nos corredores da ONU foi descrito como cordial, mas a decisão final sobre o formato da conversa ainda será tomada em conjunto pelos dois governos.
Assim, enquanto Trump tenta transformar a aproximação em espetáculo para consumo interno, Lula conduz o processo com pragmatismo e serenidade, pensando no interesse do Brasil e sem se curvar a pressões externas ou ao jogo rasteiro da extrema-direita.
Com informações do Brasil 247
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