Após ataque a Belém, chanceler alemão desafia críticas e recusa pedido de desculpas
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2334 visitas - Fonte: Plantão Brasil
O governo da Alemanha decidiu encerrar qualquer expectativa de retratação pelas declarações ofensivas do chanceler Friedrich Merz sobre Belém, sede da COP30. Nesta quarta-feira (19), o porta-voz Stefan Kornelius afirmou que Merz não pedirá desculpas e tentou minimizar o episódio, alegando que o líder alemão apenas comparou países “bonitos” — como se isso tornasse aceitável a arrogância exibida ao descrever o alívio de deixar a capital paraense.
A crise começou quando Merz, ao voltar da COP30, relatou que jornalistas teriam ficado “contentes” por deixar Belém, nenhum deles supostamente querendo permanecer na cidade. A fala, amplamente interpretada como xenófoba, gerou reação imediata no Brasil e até dentro da própria Alemanha, onde o chanceler já vinha sendo criticado por flertar com discursos da extrema direita.
Veja a fala que desencadeou a crise:
Merz enaltece Alemanha após viagem a Belém: "Todos ficaram felizes por termos voltado, principalmente por sair daquele lugar." pic.twitter.com/dpRmtgT2Du
— DW Brasil (@dw_brasil) November 17, 2025
No Congresso brasileiro, a resposta foi rápida: o Senado aprovou um voto de censura contra Merz, classificando suas palavras como preconceituosas e ofensivas à Amazônia e ao povo paraense. No Pará, tanto o governador Helder Barbalho quanto o prefeito Igor Normando criticaram o chanceler, afirmando que sua fala revela mais sobre ele do que sobre Belém.
Lula também rebateu a ofensa. Disse que Merz deveria ter experimentado a culinária paraense, dançado, conhecido a cultura local — porque “Berlim não oferece 10% da qualidade que Belém oferece”. A fala do presidente ecoou um sentimento claro: o chanceler perdeu a chance de conhecer o Brasil real.
Veja:
???????? Lula rebate Merz após críticas ao Brasil e diz que Berlim não oferece '10% da qualidade' do Pará e Belém
— RT Brasil (@rtnoticias_br) November 18, 2025
??O chanceler alemão deveria "ter ido em um boteco no Pará, deveria ter dançado no Pará, ele deveria ter provado a culinária do Pará".
??https://t.co/IRv1sGUf0b pic.twitter.com/xdCGtisYGq
Mesmo dentro do governo alemão houve desconforto. O ministro do Meio Ambiente, Carsten Schneider, elogiou o Brasil em português e exaltou a hospitalidade amazônica, contrapondo-se ao tom de Merz. Organizações internacionais também reagiram — o diretor do Greenpeace Alemanha afirmou que o chanceler causou “vergonha alheia” e deveria pedir desculpas.
Alemães sentiram vergonha alheia com fala de Merz, diz membro do Greenpeace Alemanha. pic.twitter.com/lw2zRCHHNv
— DW Brasil (@dw_brasil) November 18, 2025
A escalada verbal de Merz não acontece isoladamente: ele já vem incorporando narrativas típicas da extrema direita alemã, atacando imigrantes e reforçando discursos excludentes. A tentativa de minimizar o ataque a Belém apenas reforça esse movimento — e expõe o chanceler a críticas dentro e fora de seu próprio país.
Com informações da Fórum
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