Chanceler Mauro Vieira BATE de frente com Washington e ganha protagonismo maior
Compartilhe
1894 visitas - Fonte: Plantão Brasil
A crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos, desencadeada pela imposição de sobretaxa a produtos brasileiros e sanções a autoridades nacionais, reposicionou o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, no centro da política externa do governo Lula. Washington justificou as medidas como resposta ao tratamento dado pelo Judiciário ao ex-presidente Jair Bolsonaro, elevando a tensão bilateral.
O episódio deu a Vieira um protagonismo que ele não havia desfrutado desde o início do mandato, tirando-o da sombra de Celso Amorim, assessor especial do Planalto e histórico formulador da diplomacia petista. Amorim, que conduzia temas sensíveis como a guerra na Ucrânia e a situação venezuelana, viu a condução da crise mais complexa recair sobre o chanceler, uma vez que a política externa exige um ator institucional menos identificado com o PT, segundo analistas.
Vieira assumiu a linha de frente do diálogo com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, com quem se reuniu duas vezes. Ao rebater as pressões e reafirmar publicamente que as relações bilaterais não são "incondicionais", Vieira defendeu a soberania brasileira e ganhou peso político. Diplomatas avaliam que sua capacidade de manter a interlocução com Rubio, figura influente na gestão do presidente Donald Trump, em meio à pressão, é um ativo raro e essencial neste momento turbulento.
Apesar de negar disputas e afirmar que ambos têm funções complementares, Vieira e Amorim vivem uma divisão de papéis clara: o chanceler atua como o executor habilidoso da política externa, enquanto Amorim permanece como o formulador estratégico e conselheiro direto de Lula. Um diplomata resumiu a diferença, afirmando que Vieira ocupa um lugar institucional que um assessor não poderia ter.
Desde que assumiu o Itamaraty, Vieira manteve mais de 530 reuniões de alto nível com mais de 140 chanceleres, gerenciando pautas importantes como o Brics, o G20, negociações com a União Europeia e a escalada da crise no Conselho de Segurança da ONU. Na atual crise com os EUA, o ex-embaixador mobilizou uma operação sigilosa para monitorar as reações em Washington, combinando uma atuação enérgica com a discrição necessária, um perfil visto como crucial para a diplomacia recente.
Contudo, a influência de Amorim permanece forte. Críticos como o diplomata Paulo Roberto de Almeida ponderam que a política externa segue concentrada no Planalto, operando sob uma "diplomacia presidencialista, personalista", que, segundo ele, introduz improvisações que comprometem a credibilidade do Brasil no cenário internacional, mesmo com o esforço de Vieira em gerenciar a crise.
Com informações do DCM
Plantão Brasil foi criado e idealizado por THIAGO DOS REIS. Apoie-nos (e contacte-nos) via PIX: apoie@plantaobrasil.net
Follow @ThiagoResiste
APOIE O PLANTÃO BRASIL - Clique aqui!
Se você quer ajudar na luta contra Bolsonaro e a direita fascista, inscreva-se no canal do Plantão Brasil no YouTube.
O Plantão Brasil é um site independente. Se você quer ajudar na luta contra o golpismo e por um Brasil melhor, compartilhe com seus amigos e em grupos de Facebook e WhatsApp. Quanto mais gente tiver acesso às informações, menos poder terá a manipulação da mídia golpista.
Notícias mais lidas
Pesquisa Quaest mostra Flávio à frente de Lula e Thiago dos Reis aponta coincidência com reunião em Brasília
BALDE DE ÁGUA FRIA! Impedimento de Nunes Marques pega campanha de Flávio Bolsonaro de surpresa no STF
Falha grave na Polícia Civil de SP expõe governo Tarcísio e coloca sob suspeita provas de inquérito ligado a André Mendonça
