EUA preparam flexibilização de sanções para saquear petróleo venezuelano, diz secretário do Tesouro
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Em uma manobra que expõe os reais interesses por trás da retórica diplomática, os Estados Unidos avaliam retirar parte das sanções econômicas contra a Venezuela já na próxima semana. O anúncio, feito pelo secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, tem um objetivo claro: facilitar e, sobretudo, controlar a retomada das vendas de petróleo venezuelano, com todo o fluxo financeiro passando pelas mãos de Washington. A medida é apresentada como um alívio, mas os mecanismos descritos revelam uma estratégia de dominação econômica.
Bessent afirmou que o governo estadunidense estuda destravar mecanismos financeiros para que as receitas da venda do petróleo, hoje paradas em navios ou congeladas, possam circular. No entanto, o destino final desses recursos está longe de ser soberano: o Departamento de Energia dos EUA deixou claro que toda a receita será inicialmente depositada em contas controladas pelo governo norte-americano em bancos internacionais. A distribuição ocorrerá, conforme o comunicado oficial, "em benefício do povo americano e do povo venezuelano, a critério do governo dos EUA".
A flexibilização também visa atrair capital privado de volta ao setor petrolífero venezuelano, arrasado por anos de bloqueios. No entanto, até os grandes players demonstram extrema cautela. O CEO da ExxonMobil, Darren Woods, declarou que a Venezuela é atualmente "ininvestível", após ter seus ativos confiscados duas vezes no país. Apenas a Chevron mantém operações significativas por lá. Enquanto isso, o presidente Donald Trump já defendeu que grandes petrolíferas invistam massivamente na Venezuela, um movimento visto como forma de ampliar a influência geopolítica estadunidense na região.
O plano envolve ainda o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial. Bessent mencionou que quase US$ 5 bilhões em ativos da Venezuela, congelados no FMI, poderiam ser utilizados para "apoiar a reconstrução" da economia local, submetendo o país às condicionalidades dessas instituições. Paralelamente, os EUA já começaram a refinar e vender, por conta própria, até 50 milhões de barris de petróleo venezuelano que estavam retidos devido ao bloqueio, volume equivalente a dois meses da produção atual do país.
Apesar de possuir as maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela hoje produz apenas cerca de 1 milhão de barris por dia, fruto do estrangulamento causado pelas sanções e pela deterioração da infraestrutura. A aparente abertura, portanto, não se trata de um gesto de boa vontade, mas de uma estratégia calculada para garantir que a riqueza energética venezuelana seja explorada sob estrita supervisão e para benefício estratégico dos Estados Unidos, mantendo o país sul-americano em uma posição de dependência e controle externo.
Com informações da Reuters
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