Governo Lula articula no Congresso aprovação rápida do acordo Mercosul-UE
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O governo de Luiz Inácio Lula da Silva iniciou uma ofensiva diplomática e política para garantir que o acordo entre Mercosul e União Europeia não fique travado por impasses estrangeiros. Em uma movimentação estratégica, o Palácio do Planalto acionou lideranças do Congresso Nacional para ratificar o texto internamente o quanto antes. A ideia é enviar uma mensagem clara ao mundo de que o Brasil está pronto para o comércio global, tentando esvaziar a resistência de países europeus que buscam adiar a implementação do tratado.
O vice-presidente Geraldo Alckmin assumiu a linha de frente das negociações, reunindo-se com o senador Nelsinho Trad, presidente da Comissão de Relações Exteriores. O objetivo é construir um consenso rápido, aproveitando o atual clima de harmonia no Parlamento brasileiro. O governo entende que, ao "garantir o seu lado", o Brasil ganha musculatura política para pressionar o Parlamento Europeu, que recentemente enviou o acordo para análise jurídica, uma manobra vista como tentativa de atrasar o processo.
A articulação de Lula encontrou eco no centrão. O senador Nelsinho Trad sinalizou positivamente para a celeridade da tramitação, afirmando que o assunto já conta com o apoio do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre. Para o governo, essa convergência é fundamental, pois demonstra que, apesar das divergências ideológicas internas, há um entendimento comum de que os benefícios econômicos do acordo devem chegar rapidamente à população e aos setores produtivos.
Mesmo com a resistência feroz da França, que utiliza seu setor agrícola para tentar barrar o tratado, o governo brasileiro conta com o apoio de outras potências europeias. O chanceler alemão, Friedrich Merz, indicou que, apesar dos obstáculos judiciais criados por eurodeputados, o acordo poderá entrar em vigor de forma provisória já em março. Essa janela de oportunidade é o que motiva o Planalto a não poupar esforços para concluir a etapa brasileira da aprovação.
Um dos trunfos do governo para evitar resistência no Congresso é o próprio setor produtivo, incluindo o agronegócio. Por ser um dos maiores interessados na abertura do mercado europeu para carne, açúcar e aves, o setor deve exercer pressão sobre parlamentares que normalmente fazem oposição ao PT. Essa convergência de interesses econômicos transforma o acordo em uma pauta suprapartidária, facilitando a vida do Executivo em um Legislativo onde não possui maioria absoluta.
A postura ativa do Brasil sob a liderança de Lula contrasta com o isolacionismo do governo anterior, buscando reinserir o país nas grandes cadeias de valor. Alckmin reforçou que o acordo é um exemplo necessário para o cenário mundial atual e que o Brasil não aceitará passivamente os atrasos impostos por setores protecionistas da Europa. A batalha agora é contra o tempo para que a burocracia internacional não vença os ganhos reais previstos para a economia brasileira.
Com informações do UOL
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