Campos Neto protegeu Banco Master e evitou intervenção apesar de crise grave
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A gestão do bolsonarista Roberto Campos Neto à frente do Banco Central volta ao centro de um escândalo de leniência e favorecimento. De acordo com apurações recentes, Campos Neto tinha pleno conhecimento dos problemas críticos de liquidez e das irregularidades do Banco Master, mas optou por segurar medidas punitivas severas. Enquanto o país sofria com juros altos, a cúpula da autoridade monetária dava sobrevida a uma instituição que operava com ativos fictícios e informações falsas, apostando em uma saída de mercado que nunca veio e que apenas aumentou o risco sistêmico para o sistema financeiro nacional.
O Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, experimentou um crescimento atípico e "milagroso" justamente durante os anos de Campos Neto. Os ativos da instituição saltaram de R$ 3,7 bilhões para impressionantes R$ 82 bilhões em tempo recorde, transformando um banco pequeno na 25ª maior força financeira do país em menos de quatro anos. Essa expansão desordenada agora está sob a mira da Polícia Federal na Operação Compliance Zero, que investiga se o crescimento foi alimentado por práticas criminosas, como a venda de carteiras de crédito falsas a outras instituições, incluindo o BRB.
Documentos enviados pelo Banco Central ao TCU revelam que, desde o primeiro semestre de 2024, a fiscalização técnica já apontava um "baixo estoque de ativos líquidos" e um gerenciamento de risco desastroso no Master. Mesmo com esse cenário de terra arrasada, Campos Neto teria atuado pessoalmente em pelo menos duas ocasiões para evitar a intervenção direta. Sua estratégia de "good bank" e "bad bank" serviu apenas para empurrar o problema com a barriga, permitindo que a instituição continuasse captando recursos no mercado mesmo sem ter como honrar suas dívidas.
A situação do conglomerado tornou-se insustentável no segundo semestre de 2024, quando o plano de captar R$ 15 bilhões fracassou retumbantemente. O banco parou de recolher depósitos compulsórios e já não conseguia mais rolar suas dívidas nas plataformas de investimento. A omissão de Campos Neto custou caro: o ultimato informal dado por ele para março de 2025 foi ignorado pela realidade dos fatos, e a liquidação só foi finalmente decretada em novembro do ano passado, já sob a nova presidência de Gabriel Galípolo, que precisou lidar com a herança maldita deixada pelo antecessor.
Além do rombo financeiro, o caso Master expõe falhas graves de governança no Banco Central da era bolsonarista. Irregularidades como insuficiência de capital e prestação de informações mentirosas à autarquia eram conhecidas pela equipe técnica, mas a diretoria colegiada, sob a influência de Campos Neto, não recebeu propostas formais de intervenção a tempo. Essa paralisia institucional levanta suspeitas sobre os reais motivos para tamanha tolerância com uma instituição que se tornou um "buraco negro" de recursos, colocando em xeque a suposta tecnicidade da gestão anterior.
Agora, com a Polícia Federal investigando crimes de gestão fraudulenta e venda de ativos inexistentes, o legado de Roberto Campos Neto sofre mais um golpe. O episódio do Banco Master é o retrato de uma política que protegia o mercado e seus "amigos" em detrimento da segurança dos depositantes e da transparência. O Brasil precisa de respostas sobre como um banco sob fiscalização contínua pôde operar de forma tão temerária por tanto tempo, provando que a autonomia do BC, na mão de certos agentes políticos, serviu de escudo para práticas que agora batem às portas da justiça.
Com informações do DCM
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