Líder evangélico bolsonarista é investigado por esquema que desviou R$ 221 milhões
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6987 visitas - Fonte: Plantão Brasil
A herança maldita do governo anterior continua a revelar esquemas de corrupção que drenam o bolso dos brasileiros mais humildes. O deputado federal Silas Câmara, expoente da bancada evangélica e aliado fiel do bolsonarismo, é o centro de uma investigação que apura fraudes milionárias no INSS. Ele foi o principal articulador de um acordo firmado ainda na gestão de Jair Bolsonaro com a Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), entidade que abocanhou R$ 221 milhões em repasses públicos entre 2023 e 2025.
O esquema consistia em descontos indevidos de até 2,5% diretamente nas aposentadorias de pescadores artesanais. A gravidade da situação foi exposta pela CGU, que ao entrevistar uma amostra de beneficiários, descobriu que nenhum deles havia autorizado as cobranças. Sob a batuta de Silas Câmara, a CBPA saltou de 35 mil para 442 mil associados em tempo recorde, fazendo com que o faturamento mensal da entidade disparasse de R$ 30 mil para quase R$ 10 milhões, explorando quem mais precisa da seguridade social.
A "família acima de tudo", lema hipócrita da extrema-direita, aparece de forma escandalosa nos balancetes da CBPA. Empresas pertencentes aos filhos, sogra e nora de Silas Câmara receberam pelo menos R$ 1,8 milhão da entidade investigada. Pagamentos generosos foram feitos à Network Filmes e à Network Multimídia, geridas por parentes do parlamentar, sob a justificativa de serviços de marketing e eventos. Até a rádio de um dos filhos do deputado e o escritório de advocacia de sua filha foram beneficiados com o dinheiro vindo dos descontos dos aposentados.
Para manter o fluxo de dinheiro, Silas Câmara atuou agressivamente no Congresso para impedir que o governo Lula transferisse o cadastro do seguro-defeso para as prefeituras. O deputado defendeu a permanência do controle dessas listas nas mãos de entidades como a CBPA, alegando "fortalecimento da categoria". Na prática, a manutenção desse modelo garantia que o esquema de arrecadação compulsória e o domínio político sobre os pescadores do Amazonas continuassem alimentando os negócios privados de seu clã familiar.
As acusações ganharam contornos ainda mais dramáticos com o depoimento da ex-mulher do parlamentar, a deputada Antonia Lucia, que denunciou publicamente o que chamou de "farra dos pescadores por meios ilícitos". Enquanto o deputado se apresenta como embaixador da pesca, as investigações da Operação Sem Desconto mostram uma realidade de exploração financeira e uso da máquina pública para enriquecimento ilícito. O caso agora está sob a mira de uma CPI, que busca detalhar como o lobby religioso e político facilitou esse assalto aos cofres da previdência.
A defesa de Silas Câmara nega irregularidades, tentando emplacar a narrativa de que os recebimentos milionários de seus familiares são apenas coincidências comerciais. No entanto, o rastro de depósitos e a ausência de autorização dos pescadores para os descontos formam um conjunto probatório robusto. O fim da impunidade para quem usa a fé e a política para saquear o trabalhador é um passo fundamental na reconstrução do país, expondo a face real daqueles que diziam combater a corrupção enquanto operavam bunkers de arrecadação obscura.
Com informações de O Globo
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