Banco de Edir Macedo é cobrado em R$ 500 milhões por calote em fundo bilionário
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O império financeiro de Edir Macedo, o Banco Digimais, está mergulhado em uma guerra bilionária que expõe as entranhas da promiscuidade entre o setor bancário e empresas envolvidas em escândalos recentes. O empresário Roberto Campos Marinho Filho, dono da Yards Capital, cobra quase R$ 500 milhões da instituição, alegando que o Digimais despejou no fundo de investimento EXP 1 uma montanha de títulos sem valor e sem documentação. Esses ativos eram lastreados por empresas que colapsaram, como o Banco Master e a Reag, além da Fictor, que entrou em recuperação judicial após dívidas bilionárias.
A acusação é gravíssima: o Digimais teria passado adiante mais de 22 mil Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) que, na prática, não possuem lastro jurídico ou documental. Ou seja, o banco de Macedo teria operado com "créditos podres", deixando um prejuízo colossal para os sócios minoritários. Segundo Marinho Filho, esses títulos simplesmente "viraram pó" após a intervenção do Banco Central nas instituições coligadas, revelando uma estrutura de papel que se sustentava apenas no papel, mas sem exequibilidade jurídica.
Desesperado para estancar a crise, o Digimais contratou Aldemir Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil, para liderar a instituição. A estratégia é clara: tentar dar um ar de profissionalismo a um banco que agora é alvo de denúncias de "vícios estruturais graves". Em uma contraofensiva típica de quem está contra a parede, o banco de Macedo acusa o sócio de reter R$ 88 milhões e tenta, na Justiça, reverter o cenário, enquanto Marinho Filho afirma que o próprio banco começou a desviar pagamentos que deveriam ir para o fundo diretamente para o seu caixa.
O fundo EXP 1, que nasceu com R$ 720 milhões em 2025, transformou-se em um campo de batalha jurídico às vésperas de sua liquidação, prevista para o final deste mês. A dúvida que paira no mercado é se o fundo terá fôlego financeiro para pagar quem investiu, já que boa parte dos valores está bloqueada por decisões judiciais ligadas aos escândalos do Banco Master. É o resultado previsível de um sistema financeiro que, sob a complacência de anos de desmonte regulatório, permitiu que instituições ligadas a grupos religiosos e políticos operassem com alto risco e baixa transparência.
A defesa do Digimais, que alega não ter obrigação de cobrir problemas nos créditos, soa como um deboche diante da auditoria que aponta R$ 316,6 milhões em irregularidades só na carteira ligada à Fictor. Ao tentar lavar as mãos e empurrar a responsabilidade para as instituições que originaram os empréstimos, o banco de Edir Macedo ignora sua responsabilidade direta na cessão desses ativos. É a face cruel do capitalismo financeiro que o bolsonarismo tanto incentivou: lucro para os bispos e banqueiros, prejuízo para quem acreditou na higidez do sistema.
Essa disputa é mais um capítulo da necessária limpeza que o país atravessa. Enquanto o governo Lula trabalha para fortalecer a fiscalização e a responsabilidade fiscal, o setor privado ainda lida com os esqueletos deixados pela farra financeira de gestões passadas. O desfecho desse caso no Judiciário será um termômetro importante para saber se bancos controlados por potências religiosas continuarão a agir como se estivessem acima das regras que regem o sistema financeiro nacional.
Com informações do DCM
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