Máfia nas delegacias: PF descobre propina de R$ 33 milhões na Polícia Civil de SP
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4072 visitas - Fonte: Plantão Brasil
A Operação Bazaar, deflagrada nesta quinta-feira (5), revelou um cenário de decomposição moral em setores estratégicos da segurança pública de São Paulo. Áudios e mensagens interceptados pela Polícia Federal e pelo Ministério Público mostram que delegacias especializadas foram transformadas em verdadeiros "balcões de negócios", onde o preço para enterrar investigações de lavagem de dinheiro chegava à cifra astronômica de R$ 33 milhões. O esquema, que envolve delegados e investigadores "parceiraços" do crime, confirma como a promiscuidade entre agentes do Estado e doleiros — muitos egressos do submundo da Lava Jato — criou uma estrutura de impunidade paralela no estado governado por aliados da extrema-direita.
As provas são contundentes e escancaram a naturalidade com que a corrupção era tratada. Em uma das gravações, um investigado relata com frieza: "Eu fui até a delegacia... é referente a uma transferência de R$ 33 milhões". O nível de infiltração era tão profundo que as extorsões e acertos não ocorriam apenas em vielas escuras, mas em locais oficiais como o 16º Distrito Policial e até no hangar do Serviço Aerotático da Polícia Civil, no Campo de Marte. A estrutura pública, mantida com o dinheiro do contribuinte, servia como escritório para criminosos de colarinho branco negociarem o trancamento de inquéritos e a destruição de provas.

A investigação do Gaeco aponta que policiais do Deic (Departamento de Investigações Criminais) e do DPPC (Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania) recebiam propinas em diversas modalidades, desde valores de até R$ 20 milhões para um único delegado blindar doleiros, até taxas de "trancamento" de R$ 5 milhões para paralisar inquéritos específicos. Também foram identificados registros de mesadas e parcelas menores, como entregas de R$ 220 mil, para garantir a "paz" contínua das operações ilícitas. O grupo criminoso transformou a autoridade pública em uma extensão do crime organizado, utilizando o aparato do Estado para garantir a continuidade da lavagem de capitais.

A prisão de nove pessoas, incluindo um delegado, investigadores, um advogado e a doleira Meire Poza, é um duro golpe no lavajatismo residual que se abrigou nas estruturas policiais paulistas. Enquanto o discurso oficial da segurança pública em São Paulo tenta focar apenas na repressão periférica, a Operação Bazaar mostra que o crime organizado estava sentado à mesa com quem deveria investigá-lo. As mensagens mostram o pavor dos criminosos quando o esquema falhava: "Falaram que a gente tá fodido lá no 16º [DP]", dizia um dos envolvidos, temendo que novas cobranças fossem feitas sem a garantia de proteção efetiva.

O desmonte desse esquema é uma vitória das instituições republicanas sobre o corporativismo corrupto. A Secretaria da Segurança Pública, agora sob pressão, prometeu medidas disciplinares e correições extraordinárias em todas as unidades citadas, mas o estrago na imagem da instituição é profundo. A existência de uma "folha de pagamento" milionária para policiais civis prova que a corrupção sistêmica não era um desvio isolado, mas uma política de gestão dentro de departamentos fundamentais. Sob o governo Lula, o fortalecimento da Polícia Federal e do Ministério Público garante que nem mesmo o "parceiraço" mais influente dentro de uma delegacia esteja imune ao império da lei.
Com informações do DCM
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