PF explode esquema de propina parcelada e chantagem na Polícia Civil de São Paulo
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Uma investigação devastadora da Polícia Federal, realizada em conjunto com o Gaeco do Ministério Público de São Paulo, revelou as entranhas de um esquema de corrupção sistêmica na Polícia Civil paulista. Mensagens extraídas de celulares apreendidos mostram que agentes públicos transformaram o aparato de segurança em um verdadeiro escritório de cobranças ilegais. O esquema era tão institucionalizado que a propina era negociada em parcelas, com policiais pressionando investigados e utilizando termos como "preciso levar para os meninos" para agilizar o repasse de dinheiro sujo.
Os diálogos interceptados mostram uma face cruel da segurança pública em São Paulo: o uso do poder de investigação como instrumento de extorsão. Em um dos áudios mais comprometedores, um escrivão do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC) chega a ameaçar um alvo, afirmando que seria "interessante conversar logo" antes que a situação se agravasse. Para os investigadores, isso prova que inquéritos policiais estavam sendo manipulados e "segurados" conforme o fluxo de pagamentos, que chegavam a cifras astronômicas de até R$ 5 milhões para livrar empresas de fachada de fiscalizações.
A criatividade criminosa do grupo também incluía táticas para burlar o rastreamento da inteligência. Policiais civis utilizavam telefones registrados em nome de esposas e familiares para negociar prazos e valores com os intermediários do esquema. No entanto, a extração de dados do celular de um dos operadores do grupo, Robson Martins de Souza, serviu como o fio da meada para que a PF pudesse mapear a rede de corrupção que envolvia desde investigadores do serviço aerotático até delegacias especializadas da capital.
A operação deflagrada nesta semana, que resultou em prisões preventivas e buscas, coloca em xeque a gestão da segurança pública no estado e reforça a necessidade de um controle externo mais rígido sobre as polícias. O caso serve de combustível para o debate sobre a PEC da Segurança Pública, defendida pelo governo Lula, que visa unificar protocolos e fortalecer o combate ao crime organizado e à corrupção policial. Para o campo progressista, o episódio é a prova cabal de que, sem transparência e depuração das forças de segurança, o Estado corre o risco de ser sequestrado por milícias e esquemas de enriquecimento ilícito.
Com informações do Metrópoles
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