Mauro Vieira tenta barrar plano de Rubio de rotular PCC e CV como "terroristas"
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O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, iniciou uma ofensiva diplomática direta com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, para tentar frenar uma medida que pode mudar drasticamente a relação de segurança entre os dois países. O governo Lula manifestou profunda preocupação com a intenção da administração Donald Trump de classificar as facções brasileiras PCC e Comando Vermelho como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs). A conversa ocorreu em meio às tratativas para uma visita oficial de Lula à Casa Branca, ainda sem data definida devido ao clima de tensão bilateral.
O receio do Itamaraty não é retórico, mas baseado em fatos recentes: a classificação de grupos como o Tren de Aragua venezuelano e cartéis mexicanos como terroristas serviu de base jurídica para operações agressivas de Washington na região, incluindo a recente invasão da Venezuela e o sequestro de Nicolás Maduro em janeiro. Brasília teme que, ao carimbar facções brasileiras como "terroristas", os EUA criem um salvo-conduto legal para realizar operações de inteligência ou até incursões militares em território nacional sob o pretexto de combater o "narcoterrorismo", atropelando a soberania do Brasil.
Segundo fontes da diplomacia ouvidas pela GloboNews, o projeto defendido por Rubio está em estágio avançado e pode ser enviado ao Congresso americano nos próximos dias. Para o governo brasileiro, o combate ao crime organizado deve ser feito por meio de cooperação policial e inteligência, e não através de rótulos que permitam a ingerência externa. A pressão de Rubio reflete a linha dura da nova gestão Trump para a América Latina, que busca expandir a influência militar e política dos EUA sob a justificativa da segurança hemisférica.
Enquanto Mauro Vieira tenta manter os canais de diálogo abertos para salvar a agenda bilateral e a visita de Lula, o clima nos bastidores é de alerta máximo. A possível classificação das facções como terroristas colocaria o Brasil em uma lista incômoda ao lado de países com conflitos civis abertos, dificultando investimentos e ferindo a autonomia das forças de segurança brasileiras. O governo Lula aposta na diplomacia para convencer Washington de que o Brasil tem plena capacidade de lidar com seus desafios internos sem "ajuda" não solicitada do Pentágono.
Com informações do G1
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