"Cooperação sim, intervenção não": México derrota narrativa de Trump sobre violência
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A presidente do México, Claudia Sheinbaum, deu uma aula de dignidade e defesa da soberania nacional ao rejeitar, de forma absoluta, a proposta intervencionista de Donald Trump. O líder norte-americano, em sua sanha de expansão militar, sugeriu o envio de tropas dos Estados Unidos para o território vizinho sob o pretexto de combater o narcotráfico. Sheinbaum foi categórica: no México, apenas as Forças Armadas mexicanas operam. A mensagem é um basta às pretensões de Washington de transformar a América Latina em um campo de batalha para sua "coalizão militar" desenhada em Miami.
O governo mexicano foi além e escancarou a profunda hipocrisia da administração Trump. Enquanto o republicano rotula cartéis como terroristas para justificar invasões, o seu próprio país funciona como o grande arsenal desses grupos. Dados oficiais revelam que 75% das armas apreendidas com criminosos no México foram fabricadas ou vendidas legalmente nos Estados Unidos. Estados como Texas e Arizona lucram com o comércio de fuzis de alta potência que atravessam a fronteira para alimentar a violência que Trump agora diz querer combater com tanques.
A denúncia do general Ricardo Trevilla é ainda mais grave e aponta para o coração do complexo industrial-militar americano: quase metade da munição calibre .50 — capaz de derrubar aeronaves — usada pelos cartéis vem da fábrica de Lake City, a principal fornecedora do próprio Exército dos EUA. Ou seja, a indústria de armas americana lucra com a guerra nas ruas mexicanas e, em seguida, o governo de Washington usa essa mesma violência como desculpa para violar a autonomia do país vizinho. É um ciclo vicioso de lucro e intervenção que Sheinbaum decidiu enfrentar.
Mesmo diante do revés na Suprema Corte dos EUA, que blindou as fabricantes de armas contra um processo bilionário movido pelo México, Sheinbaum provou que a estratégia de segurança baseada na inteligência nacional e não na submissão externa está funcionando. Entre 2024 e 2026, o governo mexicano reduziu os homicídios em 42%, atingindo o menor nível em 16 meses. A queda de Nemesio Oseguera, líder do Cartel Jalisco Nova Geração, é o marco de que o México tem capacidade de agir sem precisar de botas estrangeiras em seu solo.
A postura altiva da presidente mexicana serve de exemplo para todo o continente: a cooperação em inteligência é bem-vinda, mas a intervenção militar é inaceitável. Ao adotar o lema “cooperação sim, intervenção não”, Sheinbaum protege as instituições nacionais contra a tentativa de Trump de impor um controle externo sobre a segurança do México. Enquanto o norte insiste na lógica das armas, o sul responde com soberania e resultados concretos de uma política de segurança autônoma e corajosa.
Com informações do Brasil 247
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