Direita lavajatista faz manobra para "emparedar" o Legislativo e o Judiciário simultaneamente
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Em uma movimentação que visa gerar instabilidade institucional e palanque para as eleições de 2026, a bancada do partido Novo no Senado protocolou uma representação no Conselho de Ética pedindo o afastamento imediato do presidente da Casa, Davi Alcolumbre. Liderada pelo senador Eduardo Girão (CE), pré-candidato ao governo do Ceará, a ação acusa Alcolumbre de omissão por não dar andamento a pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e por segurar a instalação de uma CPI destinada a investigar o Banco Master.
A manobra é vista nos bastidores de Brasília como uma tentativa da direita lavajatista de "emparedar" o Legislativo e o Judiciário simultaneamente. Ao exigir a cabeça de Alcolumbre, o Novo tenta forçar a abertura de processos contra Alexandre de Moraes — alvo de 29 dos 46 pedidos de impeachment que tramitam na Casa. Girão utiliza uma retórica de "insegurança jurídica" para justificar o ataque, ignorando que o presidente do Senado tem a prerrogativa constitucional de analisar a viabilidade jurídica dessas solicitações antes de qualquer encaminhamento.
A ofensiva ganha contornos ainda mais eleitorais com a participação direta do governador de Minas Gerais, Romeu Zema, pré-candidato à Presidência. Zema assinou uma notícia-crime e um novo pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes, baseando-se em narrativas sem provas sobre supostas ligações do ministro com o banqueiro Daniel Vorcaro. Ao atacar a magistratura, o governador mineiro tenta consolidar o apoio da base bolsonarista mais radical, utilizando o partido Novo como ponta de lança contra a soberania das instituições democráticas.
O pedido de afastamento de Alcolumbre esbarra, porém, em um detalhe técnico: o Conselho de Ética do Senado está desativado desde 2024 e sequer foi instalado para o biênio atual. Isso revela que a representação tem um objetivo muito mais midiático do que jurídico, buscando alimentar redes sociais e desgastar a imagem de Alcolumbre, que tem atuado para manter o equilíbrio entre os Poderes e evitar que o Senado se transforme em um tribunal de exceção contra o STF.
A pressão para a abertura da CPMI do Banco Master também faz parte desse pacote de desestabilização. Embora o requerimento tenha assinaturas, a instalação depende de acordos políticos e da conveniência da agenda legislativa, que atualmente prioriza temas de interesse nacional e econômico. Ao tentar atropelar esses ritos, o Novo e seus aliados demonstram um desprezo pelas normas da Casa em favor de uma agenda de perseguição política que mira, em última instância, o enfraquecimento das investigações que protegem a democracia brasileira.
O Brasil assiste a mais uma tentativa de sequestro da pauta legislativa por interesses partidários e projetos pessoais de poder. A defesa da soberania do Senado e da independência do Judiciário é fundamental para impedir que o "golpismo institucional" travestido de ética prevaleça. Enquanto Alcolumbre mantém o foco na governabilidade, o partido Novo parece mais interessado em criar o caos para colher dividendos eleitorais nas próximas urnas.
Com informações do Brasil 247
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