A mando de Lula, governo barra assessor de Trump que tentou se reunir com Kassio Nunes para discutir eleições brasileiras
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O governo Lula deu um basta na tentativa de interferência externa nos assuntos internos do Brasil. O assessor do governo americano Darren Beattie, identificado como ativista de ultradireita e próximo a Eduardo Bolsonaro, foi barrado no país por decisão direta do presidente após revelações de que sua agenda incluía encontros estratégicos com integrantes do sistema político e judicial brasileiro. Além de tentar visitar Jair Bolsonaro na prisão, Beattie havia solicitado reunião com o ministro do STF Kassio Nunes Marques, vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que assumirá o comando da Corte eleitoral em junho — justamente no período de preparação das eleições deste ano.
A informação, revelada pela colunista Mônica Bergamo, da Folha, indica que o magistrado havia concordado com o encontro, embora a data ainda não estivesse definida. A tentativa de articulação do conselheiro americano acendeu todos os alertas no Planalto e no Itamaraty. Em ofício enviado ao STF, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, foi taxativo ao alertar para o risco de interferência externa na política brasileira em pleno ano eleitoral. "Cumpre observar que a visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-presidente da República em ano eleitoral pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro", afirmou o chanceler, citando princípios do direito internacional e da Carta da OEA.
A decisão de barrar Beattie foi tomada pelo governo Lula como resposta ao cancelamento de vistos de autoridades brasileiras pelos Estados Unidos, incluindo ministros do STF e integrantes do governo federal, mas também como um gesto claro de defesa da soberania nacional. O ministro Alexandre de Moraes, que inicialmente havia autorizado a visita de Beattie a Bolsonaro, voltou atrás após receber as informações do Itamaraty sobre o contexto da viagem e os riscos envolvidos. O episódio expõe a disposição do governo brasileiro de não aceitar passivamente movimentos que possam representar ingerência estrangeira no processo democrático do país.
Beattie é conhecido por suas críticas ao ministro Alexandre de Moraes, a quem chamou de "o coração pulsante do complexo de perseguição e censura contra Jair Bolsonaro". Sua tentativa de articular encontros com integrantes do sistema judicial brasileiro em pleno ano eleitoral levanta suspeitas sobre os reais objetivos da missão. Para o governo Lula, a decisão de barrar o assessor de Trump representa uma afirmação da autonomia institucional do Brasil diante de pressões externas num momento sensível para a democracia. O recado está dado: aqui se respeita a soberania nacional e não se admite interferência de quem quer que seja.
Com informações da Folha de S.Paulo
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