Trump acumula controvérsias em meio à guerra contra o Irã
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presidente Donald Trump mergulhou o cenário geopolítico em uma nova onda de incertezas nesta terça-feira (17). Em declarações concedidas no Salão Oval, o mandatário norte-americano deu sinais profundamente contraditórios sobre o futuro da ofensiva contra o Irã, iniciada há pouco mais de duas semanas. Enquanto em um momento afirmou que a guerra está "praticamente completa", em outro declarou que as tropas não estão prontas para sair e que o inimigo deve ser "decisivamente derrotado". Essa oscilação retórica tem gerado confusão entre aliados e mercados globais, sugerindo a ausência de um plano claro para o cenário pós-conflito, que Trump descreveu apenas como um país "devastado em todos os aspectos".
As inconsistências de Trump não se limitam ao cronograma, mas estendem-se à avaliação da capacidade militar iraniana. O presidente variou entre dizer que o Irã "não tem mais nada" e admitir que o país ainda mantém parcelas de sua frota de drones e mísseis. Até os números de baixas inimigas flutuam conforme o discurso, com Trump citando diferentes contagens de navios destruídos em um curto intervalo de tempo. Sobre a nova liderança em Teerã, o presidente primeiro afirmou que a cúpula do regime havia sido "eliminada", para logo depois comentar a ascensão de Mojtaba Khamenei como novo Líder Supremo, expressando abertamente sua decepção com a escolha sucessória.
A falta de coesão no discurso oficial provocou uma baixa de peso no governo. Joe Kent, diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo, renunciou ao cargo em protesto contra a condução da guerra. Em uma carta contundente, Kent afirmou que não poderia, em sã consciência, apoiar o conflito em curso, ressaltando que o Irã não representava uma ameaça iminente aos Estados Unidos e sugerindo que a escalada foi influenciada por pressões externas de Israel. Trump reagiu com o habitual tom agressivo, desqualificando o ex-aliado ao dizer que pessoas que não veem o risco iraniano "não são inteligentes", mas a saída de Kent isola ainda mais a estratégia de Washington perante a comunidade internacional.
Refletindo o foco total no conflito, Trump confirmou também o adiamento de sua viagem planejada à China. O encontro com o presidente Xi Jinping, que deveria ocorrer este mês para tratar de questões comerciais e de segurança, foi postergado por pelo menos cinco semanas. O adiamento ocorre em um momento em que Trump tenta, sem sucesso, pressionar Pequim a assumir responsabilidades pela segurança no Estreito de Ormuz. Enquanto o Pentágono publica mensagens afirmando que "a luta está apenas começando", o presidente se vê preso em um labirinto de declarações que minam a previsibilidade da maior potência militar do mundo em um momento de crise global aguda.
Com informações do Brasil247
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