"Esta não é uma guerra de curta duração", alerta Celso Amorim sobre conflito no Irã
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O assessor especial da Presidência da República, Celso Amorim, afirmou em entrevista ao Brasil 247 que o conflito entre Irã e Estados Unidos, que completa um mês neste fim de semana, não deve terminar rapidamente. Para o diplomata, um dos maiores especialistas brasileiros em política externa, a guerra foi iniciada em um momento delicado quando negociações estavam em andamento o que destruiu qualquer possibilidade de confiança entre as partes. “Olhando hoje o panorama, não me parece próxima uma decisão. No meio das negociações começou a guerra. Então isso coloca em dúvida qualquer disposição positiva. Não sou otimista em relação a isso não”, afirmou Amorim.
Amorim rebateu a ideia de que a guerra seria apenas um conflito israelense com os EUA a reboque. Para ele, a separação é arbitrária: “Talvez Israel tenha ditado o ritmo inicial da guerra, forçando os Estados Unidos a entrarem, mas obviamente eles não fariam isso se não tivessem confiança de que receberiam o apoio dos EUA”. O diplomata destacou que o Irã usa o estreito de Ormuz como principal arma, retendo 20% do petróleo escoado para o mundo, o que força a alta de preços com impactos globais inclusive no Brasil. Ele também considerou “de muito difícil aceitação” as exigências dos EUA divulgadas pela imprensa, como a renúncia ao enriquecimento de urânio e o eventual controle americano sobre o estreito.
O diplomata lembrou que, durante o governo Lula, o Brasil obteve do Irã o compromisso de transferir grande parte de seu urânio levemente enriquecido para um terceiro país, o que inviabilizaria a produção de armas nucleares, mas a proposta foi recusada pelos EUA. “Por alguma razão na época, os Estados Unidos, a secretária de Estado Hillary Clinton, recusou”, recordou. Amorim afirmou que o Irã não deve desistir do enriquecimento de urânio para fins pacíficos, algo garantido pelo tratado de não proliferação. O problema, segundo ele, seria o enriquecimento a 60%, já próximo do necessário para armamento.
Para Amorim, mais grave do que os efeitos econômicos já sentidos no Brasil como a pressão sobre os preços dos combustíveis é o “clima de confrontação” que a guerra instaura no cenário internacional. “A repercussão são as piores possíveis”, resumiu. E concluiu com um prognóstico sombrio: “Eu não acho que esta seja uma guerra de curta duração”.
Com informações do Brasil247
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