Espanha proíbe voos dos EUA em seu espaço aéreo após ataques contra o Irã
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A Espanha desferiu um duro golpe na logística militar dos Estados Unidos nesta segunda-feira (30), ao proibir oficialmente o uso de seu espaço aéreo e de suas bases militares para qualquer operação ligada às agressões contra o Irã. O anúncio, feito pela ministra da Defesa Margarita Robles, estabelece que as bases de Rota (Cádiz) e Morón de la Frontera (Sevilha) — pontos estratégicos para o reabastecimento e deslocamento de tropas estadunidenses desde 1953 — não poderão ser utilizadas como plataforma para o conflito iniciado em fevereiro. A decisão reflete a postura do primeiro-ministro Pedro Sánchez, que classificou a ofensiva liderada por Donald Trump e Israel como "ilegal e equivocada".
O fechamento do corredor espanhol gerou efeitos imediatos na movimentação militar no Mediterrâneo. De acordo com informações do jornal El País, bombardeiros americanos foram forçados a realizar desvios complexos, contornando toda a Península Ibérica para acessar o Estreito de Gibraltar. Além de restringir o pouso e o decolagem em solo espanhol, a proibição se estende ao sobrevoo de aeronaves que partam de outros aliados, como Reino Unido e França, permitindo exceções apenas para situações de emergência técnica. Essa barreira geográfica impõe custos operacionais mais elevados e atrasos táticos para o Pentágono em um momento de escalada terrestre na região iraniana.
A reação de Washington foi imediata e agressiva. O presidente Donald Trump, em tom de ameaça, chamou a Espanha de "perdedora" e sugeriu a interrupção das relações comerciais e sanções contra o país europeu por sua postura "hostil" à estratégia da Otan. Apesar da retórica belicosa da Casa Branca, o chanceler espanhol José Manuel Albares tentou minimizar o impacto diplomático, afirmando que a relação bilateral permanece "fluida" e que as demais funções das bases militares, não ligadas ao conflito com o Irã, seguem mantidas conforme os acordos de cooperação vigentes.
A decisão de Madri é vista como um marco na política externa da União Europeia, sinalizando uma rachadura profunda entre a estratégia de força de Trump e os princípios de legalidade internacional defendidos por Sánchez. Enquanto a Espanha sustenta sua soberania para não se envolver em uma guerra que considera desastrosa, o governo iraniano já sinalizou receptividade à postura espanhola, especialmente no que tange ao trânsito marítimo. O impasse coloca a economia europeia em um tabuleiro de riscos, equilibrando-se entre a pressão de Washington por alinhamento militar e a defesa de uma resolução diplomática para o caos no Oriente Médio.
Com informações da RFI
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