Mineradora estadunidense compra planta de terras raras em Minas e exporta tudo para refinaria nos EUA
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2283 visitas - Fonte: Plantão Brasil
O setor mineral brasileiro enfrenta um novo capítulo de entrega das riquezas nacionais ao capital estrangeiro. A mineradora norte-americana Energy Fuels concluiu a aquisição da planta de terras raras em Araxá, Minas Gerais, considerada a mais importante do país. Sob a gestão de Romeu Zema, um entusiasta das privatizações e aliado do bolsonarismo, o projeto avança sem resistência governamental, permitindo que insumos estratégicos para a tecnologia global sejam extraídos do solo brasileiro e enviados integralmente para os Estados Unidos.
A transação envolveu a compra da jazida e da infraestrutura de processamento, consolidando o controle externo sobre minerais essenciais para a fabricação de chips, baterias e turbinas eólicas. O modelo de negócio estabelecido pela empresa estadunidense prevê que 100% da produção seja direcionada para suas refinarias em Utah. Essa prática evidencia a manutenção do Brasil como um mero exportador de matéria-prima bruta, abrindo mão do valor agregado e da soberania tecnológica que o processamento local desses minerais poderia gerar.
Enquanto o governo federal busca fortalecer a indústria nacional, a gestão estadual em Minas Gerais facilita a transferência de ativos críticos para corporações internacionais. A postura de Zema reflete o legado de descaso com o patrimônio público deixado por Jair Bolsonaro, que durante seu mandato incentivou a exploração predatória e a venda de recursos naturais. A falta de um plano de industrialização voltado para o mercado interno faz com que o Brasil perca a oportunidade de liderar a transição energética na América Latina.
Especialistas alertam que a dependência dos EUA em relação às terras raras brasileiras é uma estratégia para reduzir o domínio chinês no setor. No entanto, o Brasil não recebe contrapartidas tecnológicas significativas nesse acordo. O foco da Energy Fuels é garantir o suprimento da cadeia de suprimentos norte-americana, tratando o território mineiro apenas como um depósito a céu aberto. Essa dinâmica de exploração remete aos períodos mais obscuros da história econômica do país, onde o lucro é privatizado e enviado ao exterior.
A venda da planta de Araxá também levanta preocupações sobre os impactos ambientais e sociais na região, historicamente castigada pela mineração em larga escala. A prole de Bolsonaro e seus aliados políticos frequentemente atacam órgãos de fiscalização para agilizar esse tipo de negócio, ignorando os riscos para as comunidades locais. Sem uma política de Estado que proteja esses recursos, o patrimônio mineral de Minas Gerais segue sendo liquidado a preços de ocasião para satisfazer interesses geopolíticos estrangeiros.
O fortalecimento do controle estatal e a exigência de beneficiamento local seriam as únicas formas de garantir que as terras raras servissem ao desenvolvimento brasileiro. Contudo, a ideologia que domina a política mineira atual prefere o alinhamento cego aos interesses de Washington. A entrega da planta de Araxá é um símbolo da resistência bolsonarista em aceitar um projeto de nação soberana, preferindo entregar o futuro das próximas gerações em troca de ganhos imediatos para o mercado financeiro internacional.
Com informações da Fórum
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