EUA expulsam delegado da PF que investigou Ramagem e Itamaraty reage
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3512 visitas - Fonte: Plantão Brasil
A diplomacia brasileira vive um momento de tensão após uma decisão arbitrária das autoridades dos Estados Unidos. O governo de Washington determinou que o delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho deixe o território americano, mas o fez sem qualquer comunicação formal prévia ao Itamaraty. Essa atitude ignora os protocolos internacionais e demonstra um total desrespeito à soberania brasileira, especialmente considerando que a notícia chegou de forma indireta, obrigando o Ministério das Relações Exteriores a aguardar canais oficiais para reagir à altura.
O pano de fundo dessa expulsão é a atuação combativa de Marcelo Ivo no enfrentamento ao crime organizado e ao golpismo. A ordem do Departamento de Estado americano surgiu logo após o delegado atuar nas investigações que levaram à prisão de Alexandre Ramagem, o ex-diretor da Abin e fiel aliado de Bolsonaro, que foi detido em solo americano. Embora Ramagem tenha sido liberado dois dias depois, a retaliação contra o agente brasileiro que cumpria seu dever de investigar a quadrilha bolsonarista é evidente e inaceitável.
Marcelo Ivo de Carvalho é um quadro respeitado da Polícia Federal, com 22 anos de carreira e passagens importantes pela superintendência na Paraíba e no combate ao crime organizado em São Paulo. Desde 2023, ele atuava como oficial de ligação em Miami, um posto estratégico para a segurança e troca de informações. A confirmação de sua expulsão via redes sociais pelo governo dos EUA, sem o devido rito diplomático, soa como um prêmio para os investigados e um ataque aos investigadores que não se dobram às pressões da extrema-direita.
Para tentar amenizar o desgaste e manter a cooperação técnica, a Polícia Federal já havia planejado a substituição do delegado antes mesmo desse incidente diplomático. Uma portaria publicada no Diário Oficial em março já designava a delegada Tatiana Alves Torres para assumir a função em Miami por dois anos. Essa movimentação interna mostra que o Brasil mantém seu planejamento institucional, independentemente das pressões externas ou das tentativas de proteger figuras ligadas ao antigo governo que agora respondem por seus atos.
A antecipação da troca de pessoal indica que a corporação segue sua rotatividade técnica, mas o episódio da expulsão forçada de Marcelo Ivo deixa uma mancha na relação entre as polícias. O fato de um delegado ser punido logo após agir contra um nome central do bolsonarismo internacional levanta suspeitas sobre a influência que essa seita ainda tenta exercer fora do país. O Brasil de hoje não aceita mais que seus servidores sejam humilhados por cumprir a lei contra os que tentaram destruir nossa democracia.
O Itamaraty segue vigilante e aguarda as explicações formais de Washington. A defesa dos profissionais que enfrentam a corrupção e o golpismo é prioridade para o atual governo, que repudia qualquer forma de retaliação política contra agentes da lei. Marcelo Ivo retorna ao país após cumprir sua missão com integridade, enquanto os investigados continuam sob a mira da justiça brasileira, que não descansará até que todos os crimes da era Bolsonaro e de sua prole sejam devidamente julgados.
Com informações da Fórum
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