Comparado a Joice Hasselmann, Nikolas Ferreira enfrenta revolta da própria militância
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2080 visitas - Fonte: Plantão Brasil
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) experimentou o peso da fúria da própria base que o elegeu. Após publicar uma mensagem em defesa do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, como um nome ideal para compor uma chapa com Flávio Bolsonaro em 2026, o parlamentar passou a ser alvo de ataques coordenados nas redes sociais. A militância de extrema-direita, conhecida por não tolerar qualquer movimento que não seja de total submissão ao clã Bolsonaro, classificou a postura de Nikolas como um ato de "traição".
A controvérsia começou quando Nikolas utilizou seu perfil no X para esclarecer declarações anteriores sobre o perfil de vice para Flávio Bolsonaro. Embora tivesse sugerido inicialmente que uma mulher poderia ser a escolha ideal para atrair o eleitorado feminino, ele enfatizou que a opção por Zema seria "excelente" e que a chapa "daria muito certo". Essa tentativa de equilibrar apoios foi interpretada pelos seguidores mais radicais como um distanciamento deliberado da ala mais fiel a Jair Bolsonaro, gerando uma onda de hostilidade imediata.
Os ataques foram pesados e incluíram comparações depreciativas. Internautas resgataram a trajetória de Joice Hasselmann, ex-aliada de Bolsonaro que rompeu com o movimento e acabou ostracizada pela direita, para sugerir que o deputado mineiro estaria seguindo o mesmo caminho. O termo "traidor" dominou os comentários, com seguidores afirmando que a base política está atenta e pronta para expor figuras que buscam viabilizar alternativas políticas fora do eixo central do bolsonarismo ortodoxo.
A reação visceral da militância expõe a fragilidade das alianças dentro desse espectro político, onde qualquer sugestão de composição pragmática é vista como infidelidade. Enquanto Nikolas tentava justificar que o "Bolsozema" seria uma estratégia vitoriosa, seus próprios eleitores o acusavam de ser um "moleque mentiroso" e de estar trabalhando secretamente para outros grupos políticos. A agressividade dos comentários mostra que o capital político do deputado não o blinda contra os ataques do "gabinete do ódio" quando os interesses do clã são percebidos como ameaçados.
Nos bastidores, o nome de Romeu Zema continua sendo ventilado por aliados de Flávio Bolsonaro como uma peça estratégica para 2026, ao lado de nomes como Tereza Cristina. No entanto, o episódio envolvendo Nikolas demonstra que a aceitação dessa chapa pela base radical está longe de ser pacífica. A definição oficial de candidaturas só deve ocorrer após pesquisas de intenção de voto em 2026, mas o racha interno provocado por um simples comentário já sinaliza um cenário de canibalismo político dentro da direita.
O episódio serve como um alerta para parlamentares que tentam articular movimentos de "terceira via" ou composições moderadas dentro do campo conservador. O caso de Nikolas Ferreira ilustra que, para essa base, a lealdade fanática é a única moeda de troca aceitável. Ao tentar ser pragmático, o deputado mineiro acabou perdendo temporariamente o controle da narrativa em suas redes, sendo tratado como um adversário por aqueles que, até então, o tratavam como uma das principais vozes do movimento.
Com informações do DCM
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