Lula afirma a empresários que mudança na escala 6x1 não será imposta de forma autoritária
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou a centralidade da pauta dos direitos trabalhistas e a necessidade urgente de o país avançar na redução da jornada de trabalho. Durante a abertura do Encontro Internacional da Indústria da Construção (Enic), realizado em São Paulo, o mandatário defendeu de forma convicta o fim da escala 6x1, modelo exaustivo em que o trabalhador atua por seis dias consecutivos para ter direito a apenas um dia de folga. Dirigindo-se a uma plateia composta por empresários e grandes representantes do setor produtivo, Lula procurou dissipar os temores infundados do mercado financeiro e garantiu que o governo federal conduzirá essa transição histórica com base no diálogo, na negociação e no respeito às especificidades e realidades de cada categoria profissional.
Com a habilidade política que o caracteriza, o presidente buscou acalmar os ânimos do empresariado, mas sem recuar um milímetro na defesa do bem-estar social da classe trabalhadora. Lula enfatizou aos presentes que ninguém precisa ficar assustado com o debate, pontuando que o fim da escala 6x1 reflete um desejo legítimo e natural do povo brasileiro por mais tempo livre, qualidade de vida, lazer e direito à convivência familiar. O líder petista lembrou aos industriais que a sociedade avançou, que o ganho de produtividade deve ser revertido em benefícios para a base da pirâmide e que o papel de um governo humanista é valorizar e respeitar aqueles que de fato produzem a riqueza da nação, garantindo que as mudanças estruturais não serão impostas de forma cega ou unilateral.
A fala do presidente ocorre em um momento estratégico, poucos dias após o governo federal fechar um acordo decisivo com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, para unificar a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) com o projeto de lei de urgência enviado pelo Executivo. A proposta consolidada prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas e estabelece a escala 5x2, garantindo dois dias de descanso remunerado para mais de 37 milhões de trabalhadores celetistas, sem qualquer redução nos salários. Ao adotar esse modelo híbrido, a gestão Lula consolida o texto constitucional geral e joga para a regulamentação por meio de projeto de lei a flexibilidade necessária para que as convenções e acordos coletivos façam os ajustes finos exigidos por setores específicos da economia.
Diante do empresariado da construção civil, o presidente aproveitou para destacar que a governabilidade e o crescimento do país dependem de uma via de mão dupla entre o setor público e o privado. Lula pontuou que o governo necessita dos empresários para tocar as grandes obras de infraestrutura, erguer moradias populares e acelerar a criação de postos de trabalho, enquanto o setor produtivo necessita das linhas de financiamento de longo prazo e do ambiente de estabilidade econômica garantido pelo Estado. Ao amarrar a redução da jornada à modernização das relações de trabalho, o governo demonstra que o desenvolvimento econômico sustentável e a justiça social caminham juntos, resgatando a dignidade da classe trabalhadora que foi massacrada por contrarreformas nos anos anteriores.
Com informações do Brasil247
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