CINEMA DE FACHADA: Banqueiro do "Bolsomaster" bancou 92% do filme de Jair Bolsonaro
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1602 visitas - Fonte: PlantãoBrasil
A farsa montada pela extrema-direita para tentar lavar a imagem do ex-presidente inelegível foi definitivamente escancarada. Em entrevista à TV Globo e à GloboNews, a produtora Karina Ferreira da Gama, dona da GoUp e responsável pelo filme Dark Horse, confessou que nada menos do que 92% de todo o orçamento da obra foi financiado com dinheiro ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A declaração confirma o que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) já havia deixado escapar em um momento de descuido: o banqueiro criminoso injetou pouco mais de US$ 12 milhões em uma produção cujo custo total está estimado em US$ 13 milhões, evidenciando que o longa nada mais é do que uma peça de propaganda financiada pelo submundo do colarinho branco.
A Polícia Federal está no encalço dos envolvidos e investiga a origem real dessa fortuna. O rastreamento financeiro aponta que os milhões de dólares saíram da Entre Investimentos e Participações, uma empresa diretamente controlada por Vorcaro. Para tentar se blindar do escândalo, a produtora tentou uma manobra retórica cínica, alegando que o banqueiro não era o investidor direto, mas apenas o "intermediador" que fez o dinheiro chegar ao projeto por meio de uma engenharia financeira internacional. Segundo ela, os valores passavam pelo fundo Heavengate, sediado nos Estados Unidos e administrado pelo advogado Paulo Calixto, um aliado íntimo do clã e ligado ao deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Os bastidores da produção revelam o desespero da equipe com o cerco judicial. Karina admitiu que quando Vorcaro foi preso em novembro do ano passado pela PF, acusado de comandar fraudes bilionárias, as filmagens ainda estavam acontecendo no Brasil. A prisão do grande fiador do projeto gerou pânico na folha de pagamento, forçando a cúpula bolsonarista a abrir uma verdadeira operação de guerra junto a setores da iniciativa privada para mendigar recursos e conseguir concluir as gravações em dezembro, sob o fantasma da Justiça. Ela tentou poupar o filho do ex-presidente ao dizer que quando Flávio apresentou Vorcaro ao projeto, em 2024, não havia nada contra o banqueiro, omitindo a ficha corrida que agora assombra o mercado.
A mamata cinematográfica da produtora com a bancada da extrema-direita não parava no filme de Bolsonaro. Na mesma entrevista, Karina confirmou que outra empresa de sua propriedade, a Academia Nacional de Cultura, abocanhou R$ 2,4 milhões em emendas Pix para criar uma série documental de viés conservador. A farra com o dinheiro público foi alimentada por parlamentares bolsonaristas da ala ideológica: Marcos Pollon (PL-MS) carimbou R$ 1 milhão; Alexandre Ramagem (PL-RJ) enviou R$ 500 mil; Carla Zambelli (PL-SP) destinou R$ 750 mil; e Bia Kicis (PL-DF) completou com R$ 150 mil. No entanto, o projeto naufragou graças à atuação firme do ministro do STF, Flávio Dino, que bloqueou as emendas de Zambelli por falta de transparência, cortando a torneira que financiava o ecossistema de desinformação bolsonarista.
Com informações do g1
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