BOMBA: Marios Frias é pego em rachadinha e ex-assessora delata tudo
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A teia de conexões financeiras em torno da produção de "Dark Horse", filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, ganhou um novo capítulo com a revelação de que a empresária Karina Ferreira da Gama tentou captar oito milhões e seiscentos mil reais por meio da Lei Rouanet. Karina é sócia-administradora da Go Up Entertainment, produtora do longa-metragem, e preside o Instituto Conhecer Brasil, entidade que protocolou quatro projetos de incentivo cultural entre dois mil e quinze e dois mil e dezenove. A descoberta expõe a contradição de setores da oposição que, embora adotem um discurso público de demonização dos mecanismos de fomento à cultura, buscaram nos bastidores o uso dessas mesmas ferramentas de incentivo fiscal.
Apesar de ter recebido autorização do governo federal para captar os milhões pretendidos, o instituto só conseguiu efetivar o recebimento de cento e sete mil reais, destinados à montagem do espetáculo "Rute - o Ballet", no ano de dois mil e vinte. O maior projeto barrado, orçado em quase seis milhões de reais e aprovado justamente durante a gestão de Bolsonaro, previa a realização de um festival itinerante de música gospel em quinze estados em parceria com a Marcha para Jesus, mas o prazo de captação expirou sem atrair investidores. Outras propostas frustradas envolviam uma turnê musical e uma peça teatral baseada nos personagens infantis da "Turma do Smilinguido".
O envolvimento dos realizadores do filme com verbas públicas, contudo, vai muito além do escopo do Ministério da Cultura e atinge diretamente o deputado federal Mario Frias, que assina o roteiro e a produção de "Dark Horse". O Instituto Conhecer Brasil foi beneficiado com o repasse de dois milhões de reais em emendas parlamentares carimbadas e enviadas pelo próprio Mario Frias. O direcionamento de dinheiro público por parte do deputado para a entidade controlada pela sócia da produtora do filme em que ele próprio trabalha gerou forte desgaste, levantando questionamentos éticos sobre o uso de recursos do Orçamento da União para inflar o ecossistema financeiro de parceiros comerciais.
"Geri bilhões da Lei Rouanet à frente da Secretaria Especial da Cultura e saí do governo com as mãos limpas. Quem não se enriqueceu com bilhões certamente não iria se sujar pelos R$ 2 milhões." — Mario Frias, tentando se defender das acusações nas redes sociais.
Além das emendas de Frias, a organização de Karina Gama possui um contrato de cento e oito milhões de reais com a Prefeitura de São Paulo, na gestão de Ricardo Nunes, para o fornecimento de sinal de internet sem fio em comunidades. O acúmulo de repasses públicos e privados colocou o grupo sob o radar das autoridades. A Polícia Federal conduz uma investigação sigilosa sobre o fluxo financeiro de sessenta e um milhões de reais injetados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, na produção cinematográfica após intermediação de Flávio Bolsonaro. A PF suspeita que o emaranhado de contas e repasses — incluindo as emendas e verbas privadas — possa ter servido para subsidiar despesas pessoais do clã no exterior, incluindo a estadia de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Com informações do g1
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