Auditoria descobre que aliado de Ciro Nogueira autorizou repasses para entidade ligada ao clã Bolsonaro
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1296 visitas - Fonte: PlantãoBrasil
O avanço das investigações sobre a engrenagem de financiamento da extrema direita revelou conexões ainda mais profundas entre o cacique bolsonarista Ciro Nogueira e o esquema de desvio de recursos públicos em São Paulo. Documentos auditados pelas autoridades apontam que o contrato de cento e oito milhões de reais firmado com o Instituto Conhecer Brasil — entidade presidida por Karina Bezerra, produtora do filme "Dark Horse" — foi chancelado por uma secretaria municipal controlada diretamente por um afilhado político do senador do PP. A descoberta expõe a partilha de espaços públicos para irrigar estruturas que dão sustentação ao clã criminoso.
A assinatura do termo bilionário ocorreu no âmbito de uma pasta cuja chefia foi entregue à cota pessoal de Ciro Nogueira como moeda de troca pelo apoio político do PP à gestão local nas eleições de 2024. Sob o pretexto de instalar pontos de internet comunitária na capital paulista, a secretaria ignorou alertas de órgãos técnicos de fiscalização e acelerou a contratação da organização não governamental sem a devida concorrência pública. Os relatórios periciais de inteligência financeira demonstram que a escolha da ONG serviu como uma fachada institucional para operar a lavagem de dinheiro e a triangulação de capitais direcionados ao longa-metragem promocional do bolsonarismo.
O cruzamento de dados realizado pela inteligência policial identificou que os pagamentos foram autorizados de forma célere, mesmo após o Tribunal de Contas emitir alertas formais sobre indícios robustos de superfaturamento na ordem de duzentos e trinta por cento. O operador da secretaria, indicado pelo ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro, chancelou aditivos contratuais que injetaram mais quarenta e sete milhões de reais na contabilidade do instituto de fachada. Os investigadores sustentam que a liberação indiscriminada dessas verbas funcionou como uma espécie de propina institucionalizada, beneficiando diretamente a elite financeira e os parlamentares reacionários da oposição.
A auditoria também descobriu que parte expressiva dos cento e oito milhões de reais recebidos pelo instituto foi pulverizada em contas bancárias de empresas pertencentes aos próprios diretores da ONG e a assessores de deputados federais da ala radical, como o foragido Mário Frias. Essa rede de subcontratações simuladas permitia que o dinheiro público fosse sacado em espécie ou transferido para o exterior, alimentando o padrão de vida luxuoso de operadores e financiando a produção cinematográfica com atores estrangeiros. A participação do indicado de Ciro Nogueira na validação dessas notas fiscais frias consolidou a fraude de colarinho branco.
O desabamento desse arranjo espúrio joga por terra a narrativa de austeridade e moralidade pregada pela prole golpista nas redes sociais. Enquanto o governo democrático do presidente Lula atua de forma republicana para moralizar o uso de emendas e parcerias com o terceiro setor, a oposição reacionária utilizava secretarias municipais como balcão de negócios para saquear o erário e blindar seus aliados na máquina partidária. O cerco jurídico contra os executores desse contrato fraudulento tende a se intensificar nas próximas semanas, arrastando os cabeças do PP para o centro do inquérito criminal que tramita na Justiça Federal.
O material coletado pelas equipes de busca e apreensão na secretaria e na sede do instituto passará por perícia contábil detalhada para mapear o destino final de cada centavo desviado dos cofres municipais. A conexão direta entre a indicação de Ciro Nogueira e o favorecimento da melhor amiga do senador Flávio Bolsonaro inviabiliza as tentativas de defesa que alegavam desconhecimento técnico dos fatos. A ação enérgica das instituições do Estado assegura que a utilização criminosa da máquina administrativa para o enriquecimento ilícito e para a propaganda ideológica de extrema direita não ficará imune à aplicação rigorosa da legislação penal.
Com informações da Folha de São Paulo
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