Governo Lula monta estratégia diplomática para barrar tarifaço dos EUA e blinda o Pix de qualquer chantagem de Trump
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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva traçou uma estratégia firme para conter a agressividade comercial de Washington e barrar a imposição da tarifa de 25% contra os produtos brasileiros. Diante das duas investigações abusivas conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana, interlocutores do Palácio do Planalto avaliam que ainda existe margem de manobra geopolítica para reverter a sobretaxa antes que ela seja efetivamente implementada.
A grande aposta diplomática do Brasil reside na interlocução direta entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o chefe do USTR, Jamieson Greer. Os dois tiveram um breve encontro em Paris nesta semana e confirmaram que os canais de diálogo permanecem abertos. Como as tarifas sugeridas pelo órgão ainda precisam passar por audiências públicas e pela canetada final de Donald Trump, o governo Lula considera que as próximas semanas serão cruciais para o país se defender. Além disso, a diplomacia brasileira espera contar com o apoio de empresários do setor produtivo para pressionar a Casa Branca nas audiências, demonstrando o prejuízo econômico recíproco das medidas.
A tática de bastidores do Itamaraty reconhece assimetrias no tabuleiro: a segunda apuração dos EUA, que propõe uma taxa de 12,5% sob o pretexto de investigar trabalho forçado, é vista como de reversão mais complexa por atingir também outros aliados de Washington. Por isso, o plano brasileiro é tentar usar a eventual absorção da tarifa menor como moeda de troca para derrubar a barreira mais alta e destrutiva de 25%, que atinge em cheio os setores exportadores estratégicos do país.
No entanto, em meio à disposição para o diálogo, o presidente Lula mandou um recado claro ao império e fixou uma barreira intransponível: o Pix está totalmente fora de qualquer barganha. O sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central brasileiro, que vinha sendo alvo de cobiça e questionamentos por parte dos norte-americanos, foi delimitado como uma "linha vermelha" absoluta pelo Planalto e não será sacrificado ou flexibilizado sob nenhum tipo de chantagem ou pressão comercial.
O Brasil segue disposto a debater alternativas assim que a Casa Branca explicitar claramente quais são suas reais demandas, algo que o governo Trump ainda não fez. O desfecho dessa queda de braço pode ganhar um capítulo decisivo na próxima semana, durante a Cúpula do G7 em Paris, onde um possível encontro cara a cara entre Lula e Donald Trump poderá colocar os pingos nos is e selar o destino das relações comerciais entre as duas nações.
Com informações do Metrópoles
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