PEC do fim da escala 6x1 entra em semana decisiva e pressiona Alcolumbre a enterrar manobra de atraso
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A histórica Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que decreta o fim da massacrante escala de trabalho 6x1 chegou ao seu momento crucial no Senado Federal. Sob forte pressão popular e parlamentar, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), entra em uma semana decisiva e deve reunir os líderes partidários para bater o martelo sobre o rito de tramitação da medida. Após ensaiar um jogo duro para tentar engavetar ou desidratar o texto, Alcolumbre foi obrigado a recuar e a tendência de bastidores é que ele encare a realidade e encaminhe a proposta diretamente para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
A reviravolta ocorre após uma avalanche de críticas de senadores progressistas contra a intenção inicial de Alcolumbre de criar uma "comissão especial" fantasma — uma manobra nítida interpretada por governistas como um rito incomum desenhado unicamente para retardar, esfriar e enterrar o andamento da pauta estratégica. Os defensores da PEC exigem o cumprimento estrito do artigo 356 do Regimento Interno do Senado, que determina o envio direto de PECs à CCJ e, logo em seguida, a votação em plenário. Alcolumbre, que antes dizia com arrogância que o Senado não seria "instância de carimbo" da Câmara dos Deputados (onde o texto foi aprovado de forma acachapante no dia 27 de maio), agora se vê encurralado pela urgência social.
Para os aliados do presidente Lula, o fim da escala 6x1 é a principal e mais poderosa bandeira social do Congresso, carregando um peso político gigantesco para o cenário de 2026. Uma das vozes mais altivas e históricas do debate trabalhista, o senador Paulo Paim (PT-RS), soltou o verbo e detonou a hipótese de um rito arrastado criado pela cúpula do Senado:
“Isto nunca aconteceu nos 24 anos que estou no Senado […]. Estamos esperando esta mudança há 40 anos. Tudo mudou no mundo do trabalho. Temos que mudar a carga horária também. Getúlio [Vargas] regulou as 48 horas, nós aprovamos na Constituição as 44 horas… E agora, 40 anos depois, 40 horas”.
A articulação em solo senatorial é tratada como um desafio de alta voltagem, já que Alcolumbre exerce um controle centralizador sobre a pauta e a coordenação dos líderes, diferentemente da Câmara, onde o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) marchou sintonizado com o Palácio do Planalto para aprovar o projeto. A reunião de líderes nesta semana será o divisor de águas: ou o Senado respeita os direitos da classe trabalhadora e acelera a tramitação pela CCJ, ou escancara o pacto com as forças atrasadas que tentam manter o país acorrentado a jornadas de trabalho medievais.
Com informações do Metrópoles
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