HIPOCRISIA: Moro vira aliado de Flávio Bolsonaro após denunciá-lo em livro como protegido da corrupção
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A desfaçatez e o oportunismo político ganharam um novo capítulo degradante com o recente alinhamento eleitoral no Paraná. O ex-juiz parcial Sergio Moro, atual senador e pré-candidato ao governo paranaense pelo PL, tenta apagar de sua própria história as denúncias devastadoras que ele mesmo escreveu contra seu atual aliado de palanque, o senador Flávio Bolsonaro. O livro Contra o Sistema da Corrupção, lançado por Moro no final de 2021, voltou a assombrar a extrema-direita ao expor em detalhes como a família Bolsonaro agiu nos bastidores do poder para sabotar as instituições e livrar o herdeiro das graves acusações do escândalo das "rachadinhas" na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Na obra literária que hoje tenta esconder, Moro foi implacável ao classificar como temerária a decisão judicial que paralisou as investigações contra Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz. O ex-ministro da Justiça registrou textualmente que o Brasil corria o risco de se transformar em um verdadeiro paraíso internacional da lavagem de dinheiro devido às manobras jurídicas costuradas para proteger o clã. Em um dos trechos mais contundentes do livro, Moro afirmou que era inadmissível destruir o sistema nacional de prevenção a crimes financeiros com o único e exclusivo propósito de salvar da lei o filho do então presidente da República, uma confissão explícita de que ele tinha plena consciência da blindagem corrupta que operava ao seu redor.
O livro também escancara os bastidores de um governo cercado pelo medo e pelo compadrio, relatando o profundo desgaste que Moro sofreu com Jair Bolsonaro ao tentar tocar no assunto. O ex-juiz revelou que foi rudemente emparedado pelo ex-mandatário, que disparou a frase "se não vai ajudar, então não atrapalhe", deixando claro que a máquina pública estava a serviço da proteção familiar e não do interesse nacional. Moro também registrou o pânico de Bolsonaro diante da transferência de lideranças do PCC para presídios federais, ocasião em que o ex-presidente tentou melar a operação por medo de que uma reação do crime organizado culminasse em seu próprio impeachment, desmistificando a falsa postura de valentia da extrema-direita contra o crime.
Essa aliança forçada e hipócrita entre Moro e Flávio Bolsonaro para as eleições de 2026 demonstra que as convicções do ex-juiz duram apenas até a próxima convenção partidária. Ao se unir ao homem que ele mesmo acusou de minar o combate à corrupção para escapar da Justiça, Moro abdica de qualquer discurso moralista e assume o papel de mero satélite do bolsonarismo. Esse poço de contradições já se tornou o principal alvo de seus adversários políticos no Paraná, como o pré-candidato Requião Filho (PDT), que promete usar as próprias palavras escritas por Moro para desmascarar o teatro de conveniência da oposição e mostrar ao eleitorado paranaense o verdadeiro tamanho da traição ética cometida pelo ex-juiz.
Com informações do jornal O Globo
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