CPI escancara repasse de R$ 11 milhões do Banco Master a ex-ministro de Bolsonaro
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O escândalo "BolsoMaster" ganhou novas e escandalosas proporções no tabuleiro da corrupção política. Dados fiscais sigilosos analisados pela CPI do Crime Organizado do Senado expuseram que o Banco Master, sob a batuta do hoje preso Daniel Vorcaro, transferiu espantosos R$ 11 milhões, nos últimos dois anos, para o ex-ministro da Cidadania de Jair Bolsonaro, Ronaldo Vieira Bento, e para empresas ligadas a ele. O cruzamento das declarações de Imposto de Renda enviado pela Receita Federal revela o que investigadores apontam como uma clássica operação de recompensa ou "porta giratória": Bento comandou a pasta que liberou o explosivo e predatório empréstimo consignado no antigo Auxílio Brasil e, logo após deixar o governo derrotado nas urnas, foi agraciado com cargos e contratos milionários no ecossistema financeiro do conglomerado de Vorcaro.
A engenharia financeira para irrigar as contas do ex-ministro e blindar o esquema criminoso operou de forma ramificada, utilizando empresas criadas às pressas para servir de fachada aos repasses do colarinho branco. Do montante total rastreado, R$ 773,3 mil caíram diretamente na conta corrente de Ronaldo Bento como pessoa física. A maior bolada, contudo, teve como destino a Meta Consultoria, empresa aberta por Bento em Brasília, que abocanhou R$ 6,2 milhões do Master. O propinoduto do consignado ainda se estendeu à Mettacard, administradora de cartões de benefícios da qual Bento foi diretor e que faturou R$ 2,98 milhões capturando servidores públicos em juros extorsivos, e ao Banco Pleno — antigo Banco Voiter, gerido por Bento e que acabou sofrendo liquidação extrajudicial pelo Banco Central por fraudes cambiais e quebra generalizada de normas do sistema financeiro.
A atuação de Ronaldo Bento à frente do Ministério da Cidadania foi o pilar técnico que viabilizou o enriquecimento do grupo e a tentativa de compra de votos nas eleições presidenciais. Foi sob o seu comando direto que o governo Bolsonaro regulamentou a Lei nº 14.431/22, autorizando que bancos privados mordessem até 40% do benefício de famílias na extrema pobreza em outubro de 2022 — período que concentrou surreais 93% dos empréstimos. Enquanto o ex-ministro posava em programas estatais defendendo que o endividamento era um "mecanismo de superação da pobreza", a Controladoria-Geral da União (CGU) flagrou desvios e fraudes imediatas. O resultado prático foi a explosão de golpes e servidores arruinados por juros abusivos, como os denunciados no Paraná, onde funcionários públicos viram empréstimos irrisórios de R$ 1,2 mil saltarem criminosamente para uma dívida impagável de R$ 8 mil em cartões operados pela Mettacard de Vorcaro e Bento.
A gravidade das provas obtidas com a quebra de sigilo fiscal reascendeu as críticas ao vergonhoso acordo de bastidores que garantiu a impunidade política do clã no Congresso. Ronaldo Bento chegou a ter depoimentos e quebras de sigilo aprovados na CPI do Crime Organizado e na CPMI do INSS, mas os requerimentos foram misteriosamente retirados após um "acordo verbal" de cúpula que blindou a oposição bolsonarista e encerrou as comissões sem um relatório final. O ex-ministro, que agora amarga a indisponibilidade total de seus bens decretada pelo Banco Central, tentou justificar os milhões recebidos do Master alegando tratar-se de "remuneração compatível com valores de mercado" por serviços de consultoria. No entanto, para a equipe de investigação da Operação Compliance Zero, os R$ 11 milhões representam o pagamento em dobro de uma fatura criminosa emitida contra os brasileiros mais vulneráveis.
Com informações do Intercept Brasil
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