Banco Digimais de Edir Macedo sofre devassa judicial após denúncia de fraude com carteiras sem lastro
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O império financeiro montado por setores historicamente alinhados ao bolsonarismo sofreu um duro golpe com a determinação da Justiça de São Paulo para a realização de uma perícia técnica minuciosa no Banco Digimais, de propriedade do bispo Edir Macedo. A decisão da 33ª Vara Cível da capital busca apurar se as carteiras de crédito bilionárias revendidas pela instituição a um fundo de investimentos possuem real lastro documental ou se tratam de uma fraude simulada. O caso envolve cédulas de crédito bancário que representam compromissos de pagamento de financiamentos e joga luz sobre os métodos nebulosos usados por conglomerados ligados à extrema direita para operar no mercado financeiro.
O escândalo estourou após o Digimais repassar uma carteira de crédito ao EXP 1 FIDC em uma transação comercial inicialmente avaliada na espantosa quantia de R$ 722 milhões. A gestora Yardas acionou o Judiciário denunciando que nunca recebeu a documentação comprobatória dos produtos adquiridos e, ao contratar uma auditoria independente, descobriu que aproximadamente 42% dos contratos transferidos — justamente os de maior valor — apresentavam irregularidades graves ou pendências estruturais absolutas. O relatório aponta que cerca de 22 mil contratos simplesmente não tinham comprovação de existência, e 2,1 milhões de parcelas a vencer estavam totalmente desprovidas de qualquer garantia.
Diante do tamanho do rombo provocado pela instituição do aliado de Jair Bolsonaro, o fundo de investimentos pede que o Digimais devolva imediatamente todos os valores que reteve de forma indevida, abra uma conta vinculada para repasses e pague uma indenização milionária pelos prejuízos causados. Em sua defesa prévia, o banco de Edir Macedo tentou transferir a culpa para a vítima, alegando cinicamente que enviou os papéis e acusando a gestora de negligência por não ter fiscalizado o produto antes de fechar o negócio. A estratégia de fumaça jurídica não convenceu a magistrada, que decidiu abrir uma investigação contábil profunda.
A juíza Ana Carolina Miranda de Oliveira foi implacável e apontou a necessidade urgente de verificar se o banco de Edir Macedo reteve receitas de forma criminosa e qual é a extensão real do dano financeiro provocado ao mercado. A magistrada assinou a ordem dando um prazo rígido de 30 dias para que o réu apresente absolutamente todos os documentos exigidos pelo perito judicial para comprovar a existência dos créditos cedidos. O cerco ao banco extremista aumentou drasticamente na mesma semana, quando a Polícia Federal deflagrou uma operação contra o Digimais por suspeita de fraudar e inflar artificialmente seus balanços financeiros.
Os investigadores da Polícia Federal apontam que a diretoria do Digimais utilizava manobras de maquiagem contábil para esconder a real situação de insolvência e as severas dificuldades financeiras pelas quais o banco passa. Militantes progressistas e defensores da ética pública apontam que a derrocada da instituição financeira de Edir Macedo expõe a falência moral e econômica de um modelo que usava a fé e a proximidade política com o antigo regime para obter vantagens comerciais abusivas. Enquanto o processo avança, o mercado aguarda os relatórios periciais que podem selar o destino jurídico dos operadores desse esquema bilionário.
Com informações do DCM
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