Flávio Bolsonaro usa evento extremista para prometer submissão do Brasil a Israel e aos Estados Unidos
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O senador Flávio Bolsonaro utilizou uma conferência internacional em Buenos Aires para escancarar o projeto de total subordinação da política externa brasileira aos interesses geopolíticos de Israel e dos Estados Unidos. Organizado pela Fundação Aliados de Israel em parceria com lobistas estadunidenses, o evento serviu de palco para que o herdeiro do bolsonarismo defendesse a inclusão do Brasil nos chamados Acordos de Isaac. A iniciativa, liderada pelo presidente argentino Javier Milei e pelo primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, busca forçar o alinhamento da América Latina com o governo de Israel, que enfrenta um profundo isolamento global devido às denúncias de genocídio e crimes de guerra na Faixa de Gaza.
Durante sua intervenção, o parlamentar fluminense atacou as posições soberanas da diplomacia brasileira e prometeu que, em um eventual retorno da extrema direita ao poder, a Embaixada do Brasil será transferida de Tel Aviv para Jerusalém, revivendo uma provocação diplomática já tentada por seu pai. Flávio Bolsonaro lamentou o fato de o Brasil manter uma postura altiva e justa no Sul Global, que resultou na ausência de um embaixador em território israelense desde 2024 como resposta legítima aos massacres contra o povo palestino. Nesta segunda-feira, 29 de junho, o senador tem uma reunião agendada com o próprio Milei, na residência oficial da Quinta de Olivos, para selar a aliança reacionária.
Assista ao vídeo:
????????@JMilei tem feito uma revolução do bem na Argentina. Em pouco tempo, o País se transformou e tenho certeza que vai avançar ainda mais! pic.twitter.com/y1OjEsP5lq
— Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) June 29, 2026
Os Acordos de Isaac, amplamente elogiados pelo senador, funcionam como uma cópia dos controversos Acordos de Abraão, articulados pela administração de Donald Trump no Oriente Médio. O projeto tenta mascarar a cumplicidade com os ataques na Palestina por meio de retóricas de cooperação tecnológica, econômica e cultural. Na prática, o bloco serve para blindar a imagem internacional do governo de extrema direita de Netanyahu, utilizando países com gestões entreguistas na região, como a Argentina, o Panamá e a Costa Rica, para consolidar um enclave estratégico e militar inteiramente submisso aos ditames de Washington.
A subordinação pretendida pela extrema direita também se estende à segurança pública, área na qual o senador defendeu abertamente a ingerência estrangeira sobre o território nacional. Flávio Bolsonaro teceu elogios ao programa estadunidense Escudo das Américas e aproveitou para criticar a reação legítima do Palácio do Planalto, que protestou contra a decisão unilateral de Washington de classificar as facções criminosas Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas. Para o governo brasileiro, a manobra dos Estados Unidos serve apenas como pretexto jurídico perigoso para justificar futuras intervenções armadas na América do Sul.
Ao endossar a agenda de Milei e Netanyahu, Flávio Bolsonaro demonstra que sua plataforma eleitoral prevê a abdicação da independência e da soberania nacional em troca de apoio político de setores radicais internacionais. O evento, que se encerra na terça-feira, 30 de junho, expõe o desespero do clã conservador em buscar validação externa no exato momento em que as investigações criminais avançam no Supremo Tribunal Federal e as pesquisas eleitorais confirmam o favoritismo das forças progressistas e democráticas no Brasil.
Com informações do DCM
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