Fraude bilionária nos EUA revela conexões de comparsa de Bannon com Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo
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O submundo da extrema direita internacional sofreu um revés histórico com a condenação do magnata chinês Guo Wengui, também conhecido como Miles Guo, a 30 anos de prisão nos Estados Unidos. A sentença, proferida pela juíza federal Analisa Torres, em Nova York, incluiu o confisco de US$ 889 milhões. O bilionário foi considerado culpado por liderar um esquema criminoso que desviou mais de US$ 1 bilhão de milhares de poupadores ao redor do mundo por meio de fraudes eletrônicas, lavagem de dinheiro e conspiração. Com o dinheiro roubado de suas vítimas, que relataram crises severas de ansiedade e ruína familiar, o golpista financiava caprichos nababescos, incluindo uma cobertura de 15 suítes em Manhattan e um iate de US$ 37 milhões.
Apresentando-se falsamente como um perseguido político e opositor do Partido Comunista Chinês — que também pede sua extradição por acusações de suborno, sequestro e estupros repetidos contra sua ex-assistente —, Guo Wengui cavou espaço no cenário extremista ao se aliar a Steve Bannon. Em 2020, a dupla criou um movimento de fachada para a suposta derrubada do governo chinês, fachada que rendeu a Bannon pelo menos US$ 1 milhão em contratos de consultoria. O ex-estrategista de Donald Trump chegou a ser detido pela polícia estadunidense a bordo do iate de luxo de Guo, em um processo paralelo que investigava o desvio de doações destinadas à construção de um muro na fronteira com o México.
As investigações da Justiça dos Estados Unidos cruzaram as fronteiras americanas e alcançaram em cheio o lobista e ideólogo da extrema direita brasileira Paulo Figueiredo, um dos principais articuladores do deputado Eduardo Bolsonaro em solo estadunidense e peça central da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro. Uma empresa de Figueiredo registrada na Flórida, a International Treasure Group, virou alvo de um processo no Tribunal de Falências de Connecticut. A ação tenta reverter judicialmente e recuperar uma transferência considerada fraudulenta de US$ 140 mil — cerca de R$ 770 mil — feita a Figueiredo por uma das empresas de fachada do magnata chinês para ocultar patrimônio e lesar credores.
Os documentos oficiais também escancaram a promiscuidade do esquema com a rede social Gettr, controlada ocultamente por Guo e dirigida por Jason Miller, outro assessor de Donald Trump íntimo de Eduardo Bolsonaro. Paulo Figueiredo admitiu ter trabalhado na expansão da plataforma no Brasil entre 2021 e 2022, participando ativamente de discussões para usar a rede como ferramenta de manipulação eleitoral. Relatórios internos revelam que a Gettr barrou a divulgação de pesquisas desfavoráveis a Jair Bolsonaro e planejou o patrocínio financeiro a eventos do Instituto Conservador Liberal, do deputado Carlos Jordy e de grupos negacionistas que espalhavam mentiras sobre a pandemia de Covid-19.
Para além dos rolos nos Estados Unidos, o clã de Paulo Figueiredo coleciona condenações pesadas por fraudes financeiras no próprio solo brasileiro. Ele e seu pai, filho e neto do ex-ditador militar João Figueiredo, foram inscritos na Dívida Ativa da União por calotear multas que ultrapassam os R$ 100 milhões aplicadas pela Comissão de Valores Mobiliários, órgão vinculado ao Ministério da Fazenda. A punição milionária é decorrente de uma fiscalização em um fundo imobiliário fraudulento criado pela dupla em 2013 em parceria com o atual presidente estadunidense, Donald Trump, para edificar um hotel de luxo na cidade do Rio de Janeiro.
O processo administrativo da autarquia federal comprovou que a família Figueiredo praticou enriquecimento ilícito, desvio de recursos públicos e transferência indevida de riqueza, embolsando ilegalmente mais de R$ 33 milhões. Os golpistas montaram um Fundo de Investimento em Participações para surrupiar as economias de entidades de previdência complementar de trabalhadores, superfaturando os custos do projeto imobiliário por meio de taxas artificiais e emitindo pagamentos vultosos a fornecedores fantasmas ligados aos próprios idealizadores da fraude. Preso desde 2023, o magnata chinês repete a mesma narrativa de perseguição política usada por seus comparsas bolsonaristas no Brasil para tentar camuflar seus crimes financeiros.
Com informações do DCM
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