Tarcísio de Freitas silencia sobre manutenção de acordos comerciais com Rede Sol, ligada ao PCC
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A gestão do governador Tarcísio de Freitas aprofundou os laços financeiros com a Rede Sol Fuel Distribuidora, despejando ao menos 66,8 milhões de reais dos cofres públicos paulistas em uma empresa sob severa investigação por ligações com o Primeiro Comando da Capital. Mesmo após a deflagração da Operação Carbono Oculto, que expôs o esquema de lavagem de dinheiro, a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos formalizou um novo contrato de fornecimento de gasolina com a distribuidora. A assinatura ocorreu em agosto de 2025, no exato momento em que os desdobramentos criminais da operação já eram de amplo conhecimento público, evidenciando a total leniência da máquina estadual.
O apetite da distribuidora pelos recursos do Estado de São Paulo expandiu-se de forma alarmante durante o mandato de Tarcísio de Freitas, infiltrando-se em múltiplas secretarias estratégicas entre 2023 e 2025. O maior montante foi garantido por meio do Departamento Hidroviário, que assinou um contrato de mais de 63 milhões de reais para o fornecimento de óleo diesel marítimo às embarcações litorâneas. Longe de demonstrar qualquer cautela com o dinheiro do contribuinte, o governo paulista ainda concedeu um aditivo financeiro em maio de 2025, elevando os ganhos da empresa investigada e prorrogando sua vigência até o segundo semestre de 2026.
As investigações conduzidas pelo Ministério Público de São Paulo e pela Receita Federal apontam que a Rede Sol atua como peça-chave em um circuito financeiro paralelo estruturado para ocultação patrimonial da facção criminosa no mercado de combustíveis. De acordo com os promotores, a empresa teve 30 milhões de reais em notas comerciais adquiridas pelo Mabruk II Fundo de Investimento, mecanismo financeiro apontado como um dos principais canais de financiamento e circulação de capital ilícito do Primeiro Comando da Capital. Embora a distribuidora negue publicamente qualquer transação econômica com o fundo citado, as autoridades mantêm o cerco contra a corporação.
O ecossistema de favorecimento na administração de Tarcísio de Freitas garantiu a homologação de compras de combustível para a Polícia Militar, para o Instituto de Zootecnia e até para o Hospital Guilherme Álvaro. A distribuição capilarizada dos contratos por diferentes áreas revela a falência dos mecanismos de governança do Palácio dos Bandeirantes, que ignorou as próprias cláusulas de integridade dos editais de licitação. O governo estadual seguiu operacionalizando os pagamentos e designando fiscais para garantir a execução dos serviços, sem abrir qualquer auditoria interna. Confrontada pelas denúncias, a gestão de Tarcísio de Freitas optou pelo silêncio cúmplice e se recusou a prestar esclarecimentos.
Com informações da Fórum
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